terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Os empecilhos à paz

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas vem dizendo reiteradamente que se recusa a reiniciar as negociações com Israel enquanto o governo israelense não interromper a construção de novos assentamentos na Cisjordânia.

Não creio ser possível discordar dele. Se o objetivo final dessas conversações é o estabelecimento de um Estado Palestino, obviamente a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia é algo com que a Autoridade Palestina não pode concordar. Obviamente, quanto maior for o número de assentamentos, mais difícil será a definição exata da fronteira entre esses países.

Do lado israelense, também é totalmente sem sentido essa expansão dos assentamentos. Mais cedo ou mais tarde, por bem ou por mal, haverá um Estado Palestino na Cisjordânia. Se controlado pela atual Autoridade Palestina ou pelo Hamas, se decorrente de um acordo de paz ou unilateralmente, não se sabe. E, quanto mais empacado o processo de paz permanece, maior é a chance de que isso seja feito unilateralmente, com eventual reconhecimento pela ONU. E se for esse o caso, as fronteiras internacionalmente reconhecidas serão as pré-1967. E, se for esse o caso, quanto menos israelenses houver nesse território, melhor para o governo e para o Estado de Israel.

Isso significa, então, que a continuidade da construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia é um empecilho verdadeiro às negociações de paz.

Entretanto, há uma notícia no Haaretz de hoje que, embora não seja nada surpeendente, ajuda a por as coisas em perspectiva.

Hamas will never recognize Israel, Gaza leader Ismail Haniyeh said Tuesday at a rally to mark the 23rd anniversary of the militant group's founding.

"Hamas will be the faithful guard of the Palestinian people's rights and the basic Palestinian principles," Haniyeh continued.
"We say today that there will be no occupation of the land of Palestine and then we can say there is no future for the occupation on our land. I mean from the sea to the river and from Rafah up to Naqoora."

Um estado palestino que vá do mar (Mediterrâneo) ao rio (Jordão) e de Rafah a Naqoora significa não existir Israel.

Não adianta. O Hamas controla parte considerável da população palestina. Seu peso é inegável. Como inegável é sua natureza fundamentalista e terrorista. O Hamas continua se negando a reconhecer o direito de Israel existir. A Autoridade Palestina não tem controle sobre os terroristas do Hamas, não é capaz de oferecer mínimas garantias de segurança à população civil israelense contra os terroristas islâmicos de Gaza.

Digamos, então, que Israel venha a concordar com um novo congelamento da construção de assentamentos na Cisjordânia. As negociações de paz seguirão. O próximo tópico, necessariamente, será segurança, ou seja, o Hamas e Gaza. Nesse contexto, o que Abbas tem a oferecer a Israel?

Se, em uma negociação, ambas partes devem ceder em algum ponto e fazer concessões, nada mais justo que se exija de Israel que pare a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Mas, repito, o que a Autoridade Palestina tem a oferecer de concreto para Israel nessa troca?

A negativa do governo israelense em interromper a construção de novos assentamentos é um empecilho imediato à continuidade das negociações de paz. Mas o empecilho perene - que não será removido por uma eventual mudança de posição de Israel - continua sendo e sempre será o terrorismo islâmico.

2 comentários:

  1. Concordo 100% com Vossa Excelência.

    Mas Israel alegar que não cumpre sua parte (de não construir assentamentos) porque lá na frente os palestinos não vão cumprir o deles é coisa de moleque.

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  2. E o que o Sr. esperava do governo de Netanyahu senão molecagens?

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