segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Enem e o método de transformar a vítima em algoz

Todos viram na imprensa a confusão - de novo - que foi o Enem, aplicado no último fim de semana. Nas provas de sábado houve problemas com determinadas provas cujo gabarito estava "invertido" e, ainda, provas com questões repetidas.

Meu caro amigo Osvaldo me manda discorrer sobre as implicações jurídicas. Sobre isso, nenhuma dificuldade: a prova deve ser anulada, porquanto o fato de alguns (vários) candidatos terem sido prejudicados pela reiterada incompetência do Ministério da Educação e seu ministro abala a isonomia entre todos os candidatos que é o princípio fundamental de qualquer concurso público. E quanto aos candidatos que nada tiveram a ver com isso e forem prejudicados com eventual anulação? Que jamais votem em qualquer candidato do PT sequer para síndico do prédio onde moram.

Quero, porém, dar destaque a outro aspecto. Também houve ampla divulgação do fato de que, assim que começaram os comentários e reclamações sobre mais essa confusão no Enem, o MEC lançou no seu twitter (de autenticidade certificada) o seguinte:

"Alunos que já 'dançaram' no Enem tentam tumultuar com msgs nas redes sociais. Estão sendo monitorados e acompanhados. Inep pode processá-los".

O que significa isso? Ora significa mais uma expressão do método petista de ser e existir. Como sempre acontece - durante a campanha eleitoral foi extremamente potencializado - quando surge denúncia de algo errado ou ilegal, a primeira reação do PT é transformar a vítima em criminoso e ameaçar.

O que se viu nessa twitada do MEC foi minimamente diferente da reação da Receita quando se divulgou que o sigilo fiscal da filha de José Serra foi violado? Dizer que as reclamações do Enem são choro de quem "dançou" é a mesma coisa que dizer que o sigilo de Verônica Serra foi violado a pedido seu, feito mediante procuração. Horas depois, provou-se falsa a procuração.

Foi diferente do que ocorreu na agressão a José Serra durante a campanha no Rio de Janeiro? Naquele episódio, a caminhada de Serra foi interceptada violentamente por militantes dilmistas. Qual o resultado? A agressão foi "apenas uma bolinha de papel" e Serra foi comparado - pelo presidente da República - a Rojas, goleiro do Chile, que simulara ter sido atingido por um foguete em jogo no Maracanã pelas eliminatória da Copa. De novo, a vítima da truculência vira algoz.

Voltando à questão do Enem, até os 140 caracteres do Twitter são suficientes para o PT mostrar sua face truculenta e intimidatória. A mensagem é muito clara: candidatos, não apontem defeitos no Enem. Se o fizerem, o Inep os processará.

Sempre que o PT age ilegalmente ou mesmo com simples incompetência, seu primeiro impulso é por a culpa na vítima e intimidá-la, ameaçá-la. Se fazem isso com candidatos e partidos de oposição, com a imprensa, com a Igreja, porque não fariam com meros estudantes secundaristas.

Só uma coisa. Imaginem como reagiriam os pelegos da UNE e da UBES se metade do que aconteceu nos  últimos Enem no governo Lula tivesse ocorrido em governo do PSDB.

4 comentários:

  1. Isto é generalizar bastante, mas tudo bem.

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  2. De fato, os outros exemplos que mencionei são mais graves. Mas não chega a ser uma generalização, mas a identificação de um método que, exatamente por ser um método, perpassa todas as ações, das grandes às pequenas.

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  3. Ah..então...meros estudantes secundaristas que entraram com celulares para trambicar nas provas...Enfim, apesar de tudo ainda acho o ENEM glorioso. Houve incompetência? O ministro deve prestar contas à população? Sim, mas que atire a primeira pedra quem nunca errou.oxi!

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  4. Criticar a incompetência do governo, seja de que partido for, não é atirar pedra, é dever cívico. Quando eu cometo erros, gosto quando as pessoas os apontam. Não costumo ameaça-las com processos.

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