terça-feira, 9 de novembro de 2010

O combate ao racismo na internet não pode ser racista

Foi divulgada notícia no sentido de que mais de 1000 perfis na internet estão sendo acusados de racismo. A apuração desses perfis racistas foi feita entre 31 de outubro e 4 de novembro e, obviamente, foi feito no rastro do famoso episódio Mayara (a estudante de direito que creditou a vitória de Dilma aos nordestinos em meio a acusações contra os habitantes daquela região e disse que "os nordestinos deveriam ser afogados).

Desnecessário dizer que isso é absolutamente injustificável. E que, a princípio, ocorre sim o crime previsto no art. 20 da Lei 7.716/89:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Incide, ainda, a qualificadora do § 2º:

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Pelo que consta, essa investigação contra esses mil racistas deve envolver declarações semelhantes, preconceituosas contra nordestinos.

O que eu gostaria mesmo de saber é se, dentre esses mil, há algum internauta nordestino que respondeu com  dizeres racistas contra paulistas, mineiros, cariocas, etc.

Ou se foi aberto algum inquérito contra os inúmeros comentários antissemitas que vejo na rede às notícias sobre Israel. No episódio do ataque israelense ao navio Mavi Marmara, cada nova notícia que saía na internet sobre o caso vinha seguida de comentários do tipo "matem todos os judeus", "hitler é quem tinha razão", "os judeus são o câncer do mundo", e por aí vai.

Se o caso Mayara será o início de um trabalho amplo de apuração e punição de toda e qualquer manifestação racista na internet (contra negros e brancos, nordestinos e sulistas, judeus, católicos, evangélicos, muçulmanos, budistas, membros de qualquer outra religião, agnósticos e ateus e assim sucessivamente) será um grande avanço.

Se, por outro lado, parar na repressão e punição a uma espécie de racismo determinada, será discriminação inversa. Se um cidadão ter conduta racista ou discriminatória é grave, o Estado atuar de forma a discriminar inversamente é muito mais grave.

Um comentário:

  1. Concordo. Durante toda a minha infância sofri bullying. Muitas vezes essas agressões eram calcadas na cor da minha pela, branca, ou como meus coleguinhas gostavam de dizer: branca azeda, gasparzinho, parede, rata branca de laboratório, lençol, fantasma, papel, urso polar, entre outros adjetivos graciosos. A única vez que retaliei também me referindo à cor do agressor fui levada imediatamente à sala da diretora e meus pais foram chamados à escola para discutir um possível resquício racista. Interessante, não?

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