sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A religião petista

Arnaldo Jabor escreve um artigo disponível no site http://www.defesadademocracia.com.br/ cujo primeiro parágrafo apenas já vale o texto inteiro. Transcrevo-o:

"Lula não é um político – é um fenômeno religioso. De fé. Como as igrejas que caem, matam os fiéis e os que sobram continuam acreditando. Com um povo de analfabetos manipuláveis, Lula está criando uma igreja para o PT dirigir, emparedando instituições democráticas e poderes moderadores".

Na minha opinião, é isso mais do que qualquer outra coisa que explica a sua imensa popularidade e sua imunidade diante do rosário de escândalos de corrupção e tráfico de influência que se viu em seus dois mandatos.

O povo enxerga e adora Lula não pelas suas supostas qualidades de lider da nação, de chefe de estado, mas por uma óptica messiânica. É mais um dos que ocupam o panteão dos heróis messiânicos do Brasil. Alguns dos mais decantados heróis nacionais são quem?

Tiradentes: partícipe da inconfidência mineira, vindo do povo, mero alferes, resistiu à opressão do poder então constituído. Morreu para nos libertar. Não é à toa que todas as estátuas de Tiradentes que existem Brasil afora retratam-no em figura semelhante à de Jesus Cristo (e eu, pelo menos, se fosse cristão, ficaria muito puto com isso; não sendo, acho um grande desrespeito a eles).

Antônio Conselheiro: fundador e dono de Canudos, vindo do povo, resistitiu à opressão do poder então constituído. Morreu para nos libertar.

Zumbi: fundador e dono do quilombo dos palmares. escravo, resistiu à opressão do poder então constituído. Morreu para nos libertar.

Lula: fundador e dono do PT; fundador e dono da História do Brasil, vindo do povo, resisitiu à opressão do poder então constituído. Não morreu, mas perdeu um dedo e foi preso para nos libertar.

Todas essas figuras míticas são absolutamente iguais. São, mais do que símbolo político, símbolo religioso. São figuras messiânicas.

É por isso que a denúncia de quaisquer irregularidades no governo Lula são encaradas por seus sacerdotes e fiéis como blasfêmia, como heresia. É por isso que o combate à oposião, aos adversários, à liberdade de imprensa é tão virulento. É uma guerra santa.

O movimento que criou o Manifesto em Defesa de Democracia é praticamente um movimento iluminista. É o embate da razão e do humanismo contra a mistificação e o obscurantismo.

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