domingo, 19 de setembro de 2010

O que Gaza, PT e Guerra nas Estrelas têm a ver entre si?

Segue abaixo reportagem do Jerusalem Post, indicada pelo Salo em comentário no post anterior:

"Gaza water park burned down after shut down by Hamas

Unidentified gunmen on Sunday set fire to Crazy Water Park, one of the Gaza Strip's most popular entertainment sites.

Eyewitnesses said that at least 25 assailants participated in the pre-dawn attack. The gunmen beat the two night watchmen, bound their hands and confiscated their mobile phones before setting the complex on fire, they said.

Manager Ala al-A'raj said that the water park was closed down by Hamas two weeks ago. He said that no one was injured in the attack, which destroyed the resort completely.

No group claimed responsibility for the arson and the Hamas government, which issued a strong condemnation, promised to pursue the perpetrators and bring them to trial.

Two human rights organizations also condemned the torching of Crazy Water Park and called for an immediate investigation.

"The attackers stormed the resort using a four-wheel drive vehicle," one of the guards told a human rights group. "They along with another group of gunmen, set fire to the two main buildings, Beduin tents and 300 nargilas [water pipes]."

Last week the Hamas government ordered the closure of Crazy Water Park for three weeks under the pretext that the place did not have a proper license.

Last month Hamas policemen raided the resort and expelled dozens of men and women who had gathered for a fast-breaking meal during Ramadan. The owner of the site was summoned for questioning and warned not to hold events where men and women sit together.

Sources in the Gaza Strip said that Hamas has been targeting the water park because the owners violated an order banning women from smoking the nargila in public places.

Last week the Hamas authorities closed down the Sama sea-side restaurant in Gaza City where a woman was seen smoking the nargila.

Human rights activists said that Hamas has recently stepped up its efforts to impose strict Islamic teachings in the Gaza Strip.

They noted that last week Hamas closed down the Aseel Horse Club, also under the pretext that it was operating without a proper license.

Hamas policemen also raided the Beach Hotel and handed the owner an order closing it down for three days. The decision was taken because one of the hotel restaurants had allowed a woman to smoke the nargila.

Two weeks ago Hamas policemen also stormed two halls in Gaza City where cultural events were taking place and kicked out the guests. The owners of the halls were requested to sign a document pledging that they would not host such events in the future.

Ehab Ghissin, spokesman for the Hamas-controlled Ministry of Interior, condemned the attack on Crazy Water Park, describing it as a "criminal case." He vowed that Hamas would do its utmost to capture the culprits. He added that the resort had been closed down because of "violations against the law," but did not elaborate".

O trecho mais importante da reportagem é o destacado acima, informando que o Hamas vem buscando aplicar "estritamente" a lei islâmica em Gaza. Isso não decorre apenas da orientação fundamentalista do Hamas, mas também da pressão dos seus principais apoiadores (em especial o Irã) para que o território palestino que está sob controle do grupo viva sob esse extremismo.

De fato, o povo palestino em geral não é, dentre os muçulmanos da região, dos mais fundamentalistas que há. Um dos principais fatores que levou o Hamas a ser vitorioso nas eleições em Gaza e, após sangrento confronto com a Autoridade Palestina, assumir total controle do território, nao foi seu fundamentalismo religioso: foi a escolha do povo palestino pelo Hamas como possível - e equivocada - solução à endêmica corrupção e ineficiência da Autoridade Palestina.

Naturalmente, depois que um grupo despótico (seja despotismo religioso, militar, ideológico, tanto faz) se instala no poder, é extremamente difícil tirá-lo de lá. É sempre tarde demais para voltar atrás.

Esses grupos, quando chegam ao poder através do voto, fazem-no conquistando a simpatia do eleitor apresentando-se como ética e moralmente superiores a "tudo isso que está aí", como antídoto à corrupção, como libertadores, como os únicos capazes de livrar o povo de décadas ou mesmo séculos de exploração, pobreza ou quaisquer outros males.

Após o sucesso nas eleições, assumem total controle do estado. A seguir, passam a controlar todos os aspectos da vida da sociedade, como acesso à informação e diretrizes educacionais. Imprensa controlada, eliminação de qualquer oposição.

Esse controle da sociedade não começa de imediato, vai ocorrendo aos poucos. A reportagem acima mostra um dos atos que exteriorizam esse método. Ainda que seja verdade que o Hamas não tenha diretamente realizado esse ato, certamente criou em Gaza um ambiente propício para que ocorresse.

Dois alertas: 1. Se algum dia os ultra-ortodoxos isralenses tiverem o mesmo poder que o Hamas tem em Gaza, esse tipo de episódio vai acontecer em Israel.

2. No Brasil, esse processo (não religioso, mas ideológico) está em curso e dará (as pesquisas indicam) outro grande passo em 3 de outubro. Se alguém duvida, basta ver o que o presidente Lula diz sobre a imprensa quando algo (como o escândalo de corrupção e tráfico de influência na Casa Civil de Dilma e Erenice) é noticiado.

Ao ver os índices de aprovação de seu governo e as intenções de voto em Dilma de um lado; e as sucessivas tentativas do governo de censurar a imprensa e o aparelhamento do Estado por outro, sempre me lembro de uma cena do episódio III de Guerra nas Estrelas (A Vingança dos Sith). Quando Darth Sidious (Palpatine) anuncia no Senado a criação do Império Galáctico - a fim de assegurar uma sociedade segura e pacífica - sob imensa aclamação dos senadores, Padmé diz ao Senador Organa:

"So, this is how liberty dies: with thunderous applause".

Jamais na histótria um tirano chegou ao poder - seja eleito, seja por golpe de estado - sem imenso apoio popular. E a liberdade sempre morre no final.

2 comentários:

  1. Olá Fuinha, tem algumas coisas que me impressionam em seus post's, os quais tenho lido (acho que todos). 1- o quanto pensamos parecido. 2- o quanto você escreve bem, diferente de mim. 3- o seu silencio anterior sobre política brasileira. shana tova ve chatima tova. saudades

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  2. Valeu, mano! que pensamos parecido, já sabíamos! Quanto à política brasileira, eu não estava propriamente em silêncio, estava mais sutil. Por que a sutileza acabou? Sei lá. Talvez eu esteja aproveitando o tempo que tenho antes de o meu blog ser proibido pelo soviet supremo (hehehe)!

    shana tova, chatima tova pra vc e pra nina!

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