sábado, 25 de setembro de 2010

A desagregação venezuelana e os riscos para o Brasil

Há não muito tempo escrevi um post sobre os imensos índices de criminalidade na Venezuela. Uma matéria a respeito na Foreign Policy me fez querer voltar ao assunto.

A matéria, tendo como foco as eleições parlamentares que se realizam amanhã na Venezuela, busca enumerar as principais causas do aumento excessivo do índice de criminalidade desde o início do governo Chavez. Vejam alguns trechos:

"The true causes of Venezuela's crime explosion are more prosaic. Most glaring is the collapse of law-enforcement institutions, which have grown riddled with corruption and politicization under Chávez's rule.

The president's conscious effort to undermine local governments and recentralize public policies has only compounded the breakdown of law and order. Practically all of Latin America's recent successes against crime, in places like Bogotá, Colombia, and Sao Paulo, Brazil, have been led by dynamic local authorities. Yet Venezuela's local governments, systematically deprived of resources and prerogatives by Chávez, have become a shadow of their former selves. Their weakening is no accident: Approximately 45 percent of the country's population lives in states or cities governed by the opposition.

Finally, there is Venezuela's increasingly visible role in the drug trade, a phenomenon that has decisively impacted crime rates elsewhere. According to the 2010 U.N. World Drug Report, "Venezuela has emerged as a prominent trans-shipment location for cocaine destined for Europe and the United States." In fact, more than half of intercepted shipments of cocaine bound for Europe from 2006 to 2008 started their journey in Venezuela.

Venezuela's increased role in drug trafficking owes much to Chávez's longstanding decision to abet Colombia's narco-insurgency, the FARC, in its war against the Colombian government".

O motivo pelo qual essa reportagem me fez querer voltar ao assunto é, acredito, bastante óbvio. Dentre os três fatores apontados pela Foreign Policy, dois são facilmente identificáveis aqui, embora em estágios menos avançados do que na Venezuela: o aparelhamento ideológico/partidário do Estado e a centralização das políticas no governo central. Com a quase certa eleição da Dilma, esses fatores tendem a se aprofundar no Brasil, convergindo para o colapso total que a Venezuela hoje vive.

E é inevitável temer que a continuidade do PT no governo nos leve a algum lugar semelhante. As semelhanças ideológicas e metodológicas são inegáveis. Obviamente, até pelas diferenças de contexto de chegada ao poder, de características históricas, econômicas e sociais diversas entre os países, não se pode acusar o PT de ser igual a Chávez. Em diversos aspectos, Lula e PT são extremamente mais inteligentes do que o palhaço venezuelano. Mas as tendências totalitárias de um e outro são extremamente semelhantes (assim como a de todos os fundadores e participantes do Forum de São Paulo, aquele ajuntamento de instituições de esquerda latino-americana que se esqueceram que o muro de Berlim caiu).

Além de um governo autoritário ser moral e eticamente errado é receita certa de desastre para a sociedade. O controle que o governo exerce sobre a sociedade para se consolidar e depois se manter no poder vem a um preço alto. Preço esse que a conclusão da reportagem da Foreign Policy ilustra muitíssimo bem:

"In any society, the causes of crime are exceedingly complex. Yet in Venezuela's case, a few of them can unequivocally be traced back to government policies. Long ago, Hugo Chávez made a decision to politicize law-enforcement bodies, undermine local governments, and befriend narcoterrorists. For the sake of political expediency, he made a pact with the devil. Now, disguised as burgeoning crime rates, the devil has come around to collect his due. Sunday may well be the day when Chávez starts paying him back".

O único problema é que Chavéz não está pagando o preço sozinho. O povo da Venezuela está pagando também e muito mais caro.

A pergunta, naturalmente, é se o PT conseguirá, efetivamente, fazer o Brasil se tornar a Venezuela. A princípio, penso que não se chegará tão longe. Nossa economia é muito mais diversificada e mais sólida do que a venezuelana (não por mérito do PT) e o governo Lula teve início em um marco democrático mais sólido do que o que existia no início do governo Chávez.

Mas não me arrisco, de jeito nenhum, a afirmar que seja impossível que, em alguns anos (se não houver mudança de poder) o PT consiga deteriorar o Brasil a ponto de ser comparável à Venezuela de hoje em dia. Afinal, como disse o Imperador Palpatine (vulgo Dath Sidious), "the dark side of the force is a pathway to many abilities some believe to be unnatural".

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