terça-feira, 21 de setembro de 2010

A democracia pode salvar a democracia?

No site da BBC:

"Extremist websites skyrocketing, says Interpol - The sharp growth in extremist websites is making recruitment much easier for al-Qaeda, according to Interpol head Ronald Noble

He said tackling radicalisation had been made far harder by the internet because many of the activities involved were not criminal.

Increasingly, he said, the individuals targeted were young and vulnerable and from middle-class backgrounds".

A raiz do problema está no segundo parágrafo. Boa partes das atividades dos mantenedores desses sites extremistas não é ilegal. E, portanto, são (justamente) protegidos pela liberdade imprensa, religiosa e de expressão.

O maior dilema que as democracias ocidentais enfrentam é exatamente esse: como combater aqueles que buscam destruir a democracia utilizando-se exatamente de suas garantias, sem, ao mesmo tempo, abrir mão dessas garantias?

E isso se manifesta em todo lugar e das mais diversas formas. É o evento do PT a que se refere o post anterior; é a construção do centro cultural islâmico próximo ao Ground Zero em Nova York; é a proliferação de sites extremistas a que se refere o chefe da Interpol.

Não é admissível que um estado autenticamente democrático renuncie à democracia, descendo ao nível de barbárie daqueles que buscam solapar as bases democráticas de um país. Por outro lado, é complicado ficar sentado esperando quando e onde vai ocorrer o próximo ataque terrorista, quem será o próximo a ter seu sigilo fiscal ou bancário violado pelo governo, até quando a liberdade vai sobreviver.

É exatamente essa ansiedade que, na Europa, vem causando o avanço dos partidos de extrema direita. Aqui, como as ameaças às garantias fundamentais não vêm do exterior ou de imigrantes, mas do próprio governo, a maioria da população ainda não acordou para o risco que nossa jovem democracia corre e, quando (e se) acordar, será tarde demais.

Não estou (em absoluto) defendendo que a solução para esses problemas esteja com a extrema direta. O que me deixa abismado é que, se, na Europa, está difícil achar uma maneira de resistir a isso com os instrumentos democráticos (irrenunciáveis) tradicionais, por aqui, há arma puramente democrática ao nosso alcance - o voto - que não será utilizada adequadamente. Um exemplo do porvir está no post anterior.

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