quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conselho de Direitos Humanos da ONU entrega o relatório sobre a abordagem do Mavi Marmara. Ainda aguardo o relatório sobre os ataques terroristas do Hamas

Foi divulgado hoje relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU a respeito da abordagem por soldados israelenses do navio Maavi Marmara que objetivava furar o bloqueio a Gaza, levando ajuda humanitária.

Antes de mencionar e comentar as conclusões do relatório, peço licença para resgatar do arquivo um post que eu publiquei em 23 de julho, com o seguinte título: "Ficha limpa na ONU!". Na oportunidade, escrevi:

"O Conselho de Direitos Humanos da ONU nomeou sexta-feira uma equipe internacional de experts que investigarão o ataque de 31 de maio à frota dirigida a Gaza, no qual nove ativistas pro-palestinos foram mortos por comandos do exército de Israel.

O Conselho de Direitos Humanos aprovou mês passado a formação de um comitê de investigação para verificar a possível violação à lei internacional por Israel durante o ataque.

O congressista Otniel Schneller (do partido Kadima) criticou a criação do comitê, afirmando que a única coisa que o Conselho de Direitos Humanos deveria estar a investigar era o Hamas, pelo sequestro e aprisionamento em Gaza do soldado israelense Gilad Schalit.

"Eu esperava que o Conselho de Direitos Humanos fizesse seu trabalho e se preocupasse com direitos humanos. Gilad Schalit é mantido prisioneiro, contrariamente a todas leis internacionais. A ONU deveria investigar a efetividade de seus comitês ao criar confiança e promover paz no Oriente Médio".

Ora, Senhor Schneller, como esperar uma investigação isenta de um órgão como o Conselho de Direitos Humanos da ONU? Passo a mencionar apenas alguns dos membros desse conselho:

Cuba, Líbia, Burkina Faso, Gabão, China, Arábia Saudita, Jordânia, Quirgistão... Em suma, vários e vários países com uma profunda e arraigada tradiação democrática, de respeito e proteção aos direitos humanos, não é mesmo?

O que a Líbia do ditador filo-terrorista Muamar Khadafi tem a dizer sobre direitos humanos? Ou Cuba dos irmãos Castro? Países desse naipe fazendo parte de um Conselho de Direitos Humanos é a mesma coisa que Fernandinho Beira-Mar e Elias Maluco fazerem parte do Conselho Penitenciário".

Obviamente, o resultado não poderia ser outro: pau em Israel (e só em Israel, o que é o mais injusto)! Notícia do UOL:

"Um relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, divulgado nesta quarta-feira, diz que militares israelenses agiram com força "desproporcional" e demonstraram "um nível inaceitável de brutalidade" ao atacar uma frota de navios que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza no último dia 31 de maio.

(...)

No documento de 56 páginas, a organização afirma que os militares israelenses desrespeitaram as leis internacionais no incidente.

"Tal conduta não pode ser justificada ou tolerada sob a justificativa da segurança ou qualquer outra justificativa. Constitui uma grave violação da lei dos direitos humanos e da lei humanitária internacional", afirma o documento da ONU.

"Existem provas claras para apoiar acusações dos seguintes crimes dentro dos termos do artigo 147 da Quarta Convenção de Genebra: tortura ou tratamento desumano, causar intencionalmente grande sofrimento ou grave ferimento ao corpo ou saúde", afirma o relatório".

Embora extremamente mal planejada e mal executada a abordagem do navio, o fato é que, quando os soldados desceram ao convés, foram atacados com barras de ferro e outros instrumentos contundentes; reagiram a tiros (instrumento de defesa que tinham à mão). Isso em qualquer lugar civilizado do mundo se chama legítima defesa.

A atitude de Israel pode ser, sem dúvida, criticada. Mas equipará-la a tortura!? Foi Israel que agiu excessivamente ou o Conselho de Direitos Humanos?

Segue a notícia:

"Os investigadores da ONU também afirmaram que o bloqueio israelense ao território palestino é "ilegítimo", pois há uma crise humana na Faixa de Gaza e "qualquer negação deste fato não pode ter bases racionais".

O relatório ainda lembra que Israel tenta justificar o bloqueio alegando razões de segurança e afirma que o disparo de foguetes da Faixa de Gaza em direção a Israel constitui uma grave violação das leis internacionais e leis humanitárias internacionais.

"Mas a ação em resposta que constitui punição coletiva da população civil na Faixa de Gaza não é legítima nas atuais circunstâncias ou em quaisquer circunstâncias", afirma o relatório".

Crise humana na Faixa de Gaza... com shopping novo e tudo (post de 26 de agosto). Mas, tudo bem; admita-se a tal crise humanitária. O Hamas não tem responsabilidade nenhuma nisso? E se gastassem menos em armamento e mais no bem estar da população de Gaza? E se renunciassem ao terrorismo e aceitassem a existência de Israel? Quem pune coletivamente a população civil de Gaza afinal? É só Israel? Então, Israel tem que renunciar à sua segurança, mas o Hamas não tem que renunciar a nada?

É verdade que um Conselho de Direitos Humanos com tantos membros pródigos em desrespeitá-los em suas próprias casas não poderia alcançar conclusão diversa. O triste é que a comunidade internacional lê e aceita o relatório sem a menor crítica.

O que se esperaria, porém, desse relatório seria um mínimo de imparcialidade. Sei que é pedir demais. No entanto, quanto mais se passa a mão na cabeça dos terroristas e de seus simpatizantes, mais distante fica o dia em que o direito dos palestinos a um Estado e dos isralenses a existirem em paz e segurança prevalecerá.

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