quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quando a solução para uma crise humanitária é vendida no shopping

Nada como um dia depois do outro, para a gente conseguir ter uma visão mais completa da realidade, não é mesmo? Vejam notícia do Jerusalem Post de hoje:

"GAZA CITY — Palestinians in this blockaded territory can now buy $80 bottles of perfume, Turkish-made suits and Israeli yogurt at the new Gaza Mall. But with only two floors of shops connected by a broken elevator and a staircase, Gaza's first shopping center is a far cry from the sprawling luxury malls famous elsewhere in the Middle East.

Nevertheless, for the war-battered residents of the impoverished coastal strip, it is a symbol of pride and normalcy. But the mall has become more than just a modest attempt at a shopper's paradise. Since its opening last month, it has become the focus of an argument over how bad things really are in Gaza".

CIDADE DE GAZA - Os palestinos que vivem nesse território bloqueado podem comprar agora vidros de perfume a 80 dólares, ternos feitos na Turquia e iogurte fabricado em Israel no novo Shopping de Gaza. Mas, com apenas dois andares conectados por um elevador quebrado e uma escada, o primeiro shopping center de Gaza está bem distante dos luxuosos shoppings que existem em outros lugares do oriente médio.

Não obstante, para os residentes abalados pela guerra na empobrecida faixa costeira, ele é um símbolo de orgulho e normalidade. Mas o shopping se tornou mais do que uma modesta tentativa de um paraíso de compras. Desde sua inauguração mês passado, tornou-se o foco de uma discussão acerca de quão ruins as coisas estão realmente em Gaza.

Não é interessante? Em maio os palestinos estavam morrendo de fome e de falta de medicamentos. Tudo por causa do bloqueio. Há um mês, eles têm um shopping! Que fique claro: eles têm direito a quantos shoppings quiserem e puderem ter. Todo mundo tem direito a ter acesso a bens de consumo. Agora, isso sem dúvida releva (mais uma vez) a mentirada que se conta, sempre que o assunto é "os pobrezinhos palestinos/ os malvados israelenses".

Na mesma notícia, há um comentário interessante:

"People say there are no problems because Gaza has mayonnaise and ketchup," said Gaza dentist Samir Ziara, 59, while browsing the mall's supermarket. "If you lock someone in a room but take care of all of his basic needs, is that enough to make him happy?"

'As pessoas dizem que não há problema porque tem maionese e ketchup em Gaza', diz o dentista Samir Ziara, de 59 anos, enquanto faz compras no supermercado do shopping. 'Se você trancar alguém em um quarto, mas satisfizer todas suas necessidades básicas, isso é suficiente para faze-lo feliz?'

Opa! Espera um pouco. Há dois meses, os palestinos (e um monte de bobos mundo afora) estavam gritando que o bloqueio estava impedindo-os de satisfazer suas necessidades básicas! Ou será que, para satisfazê-las, bastava maionese e ketchup?

Só posso concluir que a "grave crise humanitária" de Gaza é mentira! Não que as coisas lá sejam uma maravilha. Pelo contrário. Mas o que é realmente causado pelo bloqueio e o que é realmente causado por fatores internos? Vejamos: em Gaza há liberdade de imprensa, de opinião e de expressão? Não. Há instituições sólidas, confiáveis e justas? Não. Há um sistema judiciário imparcial e acessível? Não. Há igualdade entre os cidadãos? Não. E algum desses direitos humanos que não existem em Gaza estão ausentes por causa do bloqueio? Não. É por causa do Hamas.

O dentista palestino diz que a satisfação das necessidades básicas da população não é suficiente para trazer felicidade; a liberdade é fundamental. Concordo! Mas, se amanhã o bloqueio deixar de existir, os palestinos que vivem sob o jugo do Hamas serão verdadeiramente livres?

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