quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O paraíso bolivariano

Não é novidade o fato de que, desde que Hugo Chavez assumiu o poder na Venezuela, em 1999, a criminalidade naquele país e, notadamente, o número de homicídios, subiu a níveis estratosféricos. Uma reportagem do New York Times analisou essa situação e suas conclusões, embora não sejam nada surpreendentes, servem de alerta.

O começo da reportagem já do o tom de como as coisas andam no paraíso bolivariano, engendrado por Hugo Chaves, copiado na Bolívia, no Equador e que é grande inspiração do autal presidente brasileiro e da sua potencial sucessora:

"CARACAS, Venezuela — Some here joke that they might be safer if they lived in Baghdad. The numbers bear them out.

In Iraq, a country with about the same population as Venezuela, there were 4,644 civilian deaths from violence in 2009, according to Iraq Body Count; in Venezuela that year, the number of murders climbed above 16,000".

Aqui alguns brincam, dizendo que estariam mais seguros se vivessem em Bagda. Os números sustentam essa brincadeira.

No Iraque, país com população aproximadamente igual à da Venezuela, houve 4.644 mortes violentas de civis em 2009; na Venezuela, o número de homicídios superou a marca de 16.000.

A reportagem segue, apresentando um panorama da situação e investiga as possíveis causas desse índice assombroso de homicídios. Eis o que consta:

"Reasons for the surge are complex and varied, experts say. While many Latin American economies are growing fast, Venezuela’s has continued to shrink. The gap between rich and poor remains wide, despite spending on anti-poverty programs, fueling resentment. Adding to that, the nation is awash in millions of illegal firearms.

Police salaries remain low, sapping motivation. And in a country with the highest inflation rate in the hemisphere, more than 30 percent a year, some officers have turned to supplementing their incomes with crimes like kidnappings.

But some crime specialists say another factor has to be considered: Mr. Chávez’s government itself. The judicial system has grown increasingly politicized, losing independent judges and aligning itself more closely with Mr. Chávez’s political movement. Many experienced state employees have had to leave public service, or even the country.

More than 90 percent of murders go unsolved, without a single arrest, Mr. Briceño-León said. But cases against Mr. Chavez’s critics — including judges, dissident generals and media executives — are increasingly common".

Segundo especialistas, as razões para esse surto de criminalidade são variadas e complexas. Enquanto várias economias latino-americanas estão tendo crescimento rápido, a da Venezuela encolhe constantemente. O absimo entre ricos e pobres continua largo, a despeito dos gastos em programas de transferência de renda. Além disso, o país está inundado por milhões de armas de fogo ilegais.

Os salários dos policiais permanecem baixos, o que mina a motivação deles. E, no país com a inflação mais alta do hemisfério, de mais de 30% ao ano, alguns policiais resolveram complementar suas rendas com crimes como sequestro.

Mas alguns especialistas dizem que outro fator deve ser considerado: o governo de Chavez em si. O sistema judicial se tornou cada vez mais político, perdendo juízes independentes e alinhando-se próximo a Chavez. Vários funcionários públicos experientes tiveram que deixar o serviço público e até mesmo o país.

Mais de 90 por cento dos homicídios não são solucionados, não havendo sequer uma prisão. Mas processos contra críticos de Chavez - incluindo juízes, generais dissidentes e executivos da mídia - são cada vez mais comuns.

Isso é uma demonstração eloquente das consequências de um governo autoritário e personalista como o de Chaves a médio prazo. A Venezuela é hoje um país em frangalhos. Em todos os aspectos. Lula e Dilma olham para ela com bons olhos. Para eles é um bom exemplo. Realmente, para a turma do Chavez, a Venezuela deve ser uma beleza. Para a população em geral, sejam ricos ou pobres, a coisa está bem diferente.

Que o regime de Chavez sirva de exemplo mesmo. Sirva de lição de que o preço que se paga pelas promessas da revolução, pelo aparelhamento do estado, pela falta de alternância de poder, pela cooptação pelo executivo do legislativo e do judiciário é alto e extremamente doloroso. A perda das liberdades democráticas é só o começo. O estado caótico em que a Venezuela se encontra hoje não surgiu da noite para o dia; foi um processo gradual.

Por aqui, o processo já está iniciado. Ainda é passível de reversão. Mas, em breve, é possível que já tenha se tornado irreversível. E aí será tarde demais.

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