segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mais foguetes. Dessa vez, as vítimas são jordanianas

Hoje, por volta de 8 da manhã (horário local), cinco foguetes foram disparados em direção à cidade israelense de Eilat e à cidade jordaniana de Aqaba. Na cidade jordaniana uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas. Não houve vítimas no lado israelense.

Embora autoridades egípcias neguem, tudo indica que os foguetes foram disparados a partir da península do Sinai (território egípcio).

Até o momento, ninguém assumiu a autoria do atentado. Há, então, duas hipóteses. Terroristas egípcios fizeram os disparos, ou terroristas do Hamas saíram da faixa de Gaza, penetraram no Sinai e, de lá, fizeram os disparos.

E porque o Hamas teria saído de Gaza para agir de dentro do território egípcio? Ora, a resposta é muito fácil. Se o Hamas atira os foguetes de Gaza, a força aérea israelense bombardeia o local de onde os foguetes foram disparados ou os túneis utilizados para contrabando de armas. Se os disparos são feitos a partir do Egito, a retaliação fica mais difícil.

A culpa, então, é do Egito? Difícil afirmar isso permeptoriamente. Lembrem-se que, antes do ataque isralense à "forta humanitária", a faixa de Gaza estava bloqueada não só por Israel, mas também pelo Egito. Mas, após a péssima repercussão do ataque, a pressão pelo levantamento do bloqueio ficou imensa. E o Egito, como país árabe/muçulmano, não tinha condições de políticas de mantê-lo.

Ou seja, diante do novo quadro, é muito mais fácil e mais seguro para o Hamas atacar o território israelense a partir do Sinai do que a partir de Gaza. O que explica, também, a negativa do governo egípcio em reconhecer que o ataque de hoje foi originado do Sinai já que, se reconhecesse, teria que tomar alguma providência.

Outra questão que surge é se os terroristas tinham a intenção de acertar apenas Israel, ou queriam atingir a Jordânia também. Ambas hipóteses são plausíveis. A Jordânia é mal vista pelos países e grupos mais radicais, por reconhecer o direito de Israel existir e ter consigo tratado de paz e por ser, aos olhos desses radicais, "ocidentalizado".

Não obstante, a hipótese que me parece mais palusível é a de que todos os foguetes disparados eram para atingir Eilat e foram parar em Aqaba por erro na execução. Para quem não conhece, segue abaixo um mapa da região:

Notem que Eilat e Aqaba são extremamente próximas. As linhas amarelas verticais representam as fronteiras. A oeste está o Sinai; no centro, Israel e a leste a Jordânia e a sudeste, a Arábia Saudita. Em um dia claro, estando na praia em Eilat, é possível ver os três países vizinhos a olho nu.

Que conclusões podemos extrair desse novo ataque?

1. O bloqueio a Gaza pode ser feio, mas permanece sendo absolutamente necessário. Não só na fronteira com Israel como na fronteira com o Egito. Enquanto aquele território for controlado pelos terroristas do Hamas, não há outra opção.

2. Os terroristas escolhem os inimigos mas não escolhem as vítimas (porque não se importam com quem morre). Todos - sem exceção - estão expostos ao risco de serem mortos ou feridos em qualquer ataque terrorista que ocorra em qualquer parte do mundo.

No futuro próximo esses ataques vão se intensificar. O Hezbollah está fortalecendo suas posições no sul do Líbano e o exército de Israel já forneceu prova ao mundo de que as posições do Hezbollah estão todas dentro de cidades e que as armas estão armazenadas próximas a escolas, hospitais e outras áreas com densa população civil ou, em outras palavras, escudos humanos. Em Gaza, os ataques vão se intensificar para sabotar a possibilidade de conversações diretas de paz entre Mahmoud Abbas (presidente da Autoridade Palestina) e o governo de Israel. Até a Liga Árabe está pressionando Abbas a aceitar conversas diretas. No Egito, a saúde do presidente Hosni Mubarak está extremamente debilitada e, segundo alguns, ele tem, no máximo, alguns meses de vida. E sempre que um ditador que está há muitos anos no poder morre, ninguém sabe exatamente o que ocorrerá depois.

Ademais, o Irã continua sendo o Irã e a Síria continua sendo a Síria. Em breve, Israel vai se ver forçado a agir. E, havendo ou não justificativa para tal, vai dar merda.

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