quinta-feira, 15 de julho de 2010

West Bank Story

Saiu hoje no Haaretz uma reportagem que dá o que pensar. Sabem a cerca que Israel construiu ao longo da fronteira com a Cisjordânia? Aquela, que atrai protestos irados dos palestinos e de boa parte do mundo. Aquela, que Lula, na sua visita a Israel e aos territórios da Autoridade Palestina, pediu fosse derrubada, numa infeliz paráfrase da célebre frase de Ronald Reagan referindo-se ao muro de Berlim. Pois é. Aquela cerca que, após ser construída, fez cair drasticamente o número de atentados terroristas em território israelense, nos quais palestinos se explodiam em locais públicos visando matar o maior número de civis possível. Lembraram? Então vejam:

"The story of the Palestinian popular protest against Israel in several West Bank villages has recently garnered worldwide praise. However, as with any other massive movement, the popular protest too has its darker sides. The Palestinian Authority, as well as the leaders of the Palestinian popular protests in villages such as Bil'in, Na'alim, Umm Salmuna, have been trying to keep the following story away from both public knowledge and the media's eye: One of the more prominent Umm Salmuna activists – a village south of Bethlehem, long entrenched in a battle against the West Bank separation fence – is suspected of the attempted rape of an American peace activist who had been residing in the village as part of her support of the local protest.

Omar Aladdin, who had been arrested three months ago over suspicions he had attempted to rape the U.S. citizen, was subsequently released after agreeing to apologize to the young woman. However, Haaretz had learned that representatives of both the popular protest movement and the PA have since applied pressure on the American peace activist as to prevent her from making the story public.

The incident allegedly took place last April, as Aladdin, who had served a term in the Israeli jail in the past, arrived one evening at the guest house in which many of the foreign peace activists were staying. The European and American female activists reportedly agreed to let Aladdin stay with them after he had told them he feared the Israel Defense Forces were on his tail, adding that he had been severely beaten at an IDF checkpoint only a week before.

During his stay Aladdin allegedly attempted to rape a Muslim-American woman, nicknamed "Fegin" by fellow activists. The woman escaped, later accusing the popular protest man of the attempt. One villager who had encountered the American following the incident said she had been in a state of shock.

Aladdin then refused to apologize for the incident, when news of it reached the village's popular committee, the popular protests' governing body, allegedly saying that the incident had been marginal and normal. The American activist then asked the committee to notify authorities of the attempted rape, a request which resulted in the man being arrested by security forces in Bethlehem. After agreeing to apologize for the incident, Aladdin was released from custody by the PA police.

The U.S. citizen was then convinced to retract her complaint, as to avoid tainting the image of the popular protest, which had attracted praise from around the world in recent months.

However, the Umm Salmuna case is not the only one. Separation fence activists know of other incidents in which Palestinians molested and sexually assaulted foreign peace activists, a subject which was apparently raised in the discussions of the various popular committees.

A história dos protestos populares dos palestinos contra Israel em várias vilas da Cisjordânia angariou grande simpatia mundialmente. Entretanto, como qualquer outro movimento de massa, o protesto popular tem seu lado negro. A Autoridade Palestina, bem como líderes dos protestos populares em vilas tais como Bil'in, Na'alim, Umm Salmuna têm tentado manter a seguinte história longe do conhecimento público e dos olhos da mídia. Um dos mais proeminentes ativistas de Umm Salmuna - uma vila ao sul de Belem, envolvida em uma longa e árdua batalha contra a cerca de separação da Cisjordânia - é suspeito de tentar estuprar uma ativista Norte-americana que vivia na vila a fim de apoiar os protestos locais.

Omar Aladdin, que havia sido preso há três meses, sob a suspeita de haver tentado estuprar a cidadã americana, foi solto após concordar em pedir desculpas à jovem. Entretanto, o Haaretz tomou conhecimento de que representantes do movimento popular de protestos e da Autoridade Palestina pressionaram a mulher para evitar que ela tornasse a história pública.

Esse incidente ocorreu supostamente em abril, quando Aladdin, que já cumprira pena em Israel, chegou uma noite à casa na qual várias ativistas estrangeiras estavam hospedadas. As ativistas européias e americanas deixaram Aladdin permanecer lá quando ele lhes disse temer que o exército de Israel estivesse à sua procura, acrescentando que havia sido espancado em um posto de controle do exército uma semana antes.

Durante sua estadia, Aladdin supostamente tentou estuprar uma americana muçulmana, apelidada Fegin por colegas ativistas. A mulher escapou, acusando Aladdin posteriormente. Um habitante da vila que encontrou a ativista americana após o incidente disse que ela estava em estado de choque.

De início, Aladdin recusou-se a pedir desculpas, quando notícias do ocorrido chegaram ao comitê popular da vila, órgão dirigente dos protestos populares, tendo supostamente dito que o incidente foi desimportante e normal. A ativista americana então pediu ao comitê que notificasse as autoridades sobre a tentativa de estupro, o que resultou na prisão de Aladdin por forças de segurança em Belem. Após concordar em pedir desculpas pelo incidente, Aladdin foi solto pela polícia da Autoridade Palestina.

A cidadã americana foi, então, convencida a retirar a queixa, para evitar manchar a imagem do protesto popular, que atraíra simpatia mundial nos meses anteriores.

Entretanto, o caso de Umm Salmuna não é isolado. Ativistas contra a cerca de separação sabem de outros incidentes em que palestinos molestaram e violentaram sexualmente ativistas estrangeiras, assunto que aparantemente causaram discussões em vários comitês populares
 
As lições que eu tiro dessa nova versão de Aladdim e a lâmpada mágica:
 
1. Desculpem, mas um povo cuja lei permite que um mero pedido de desculpas seja suficiente para resolver uma acusação de tentativa de estupro é pouco civilizado. Pelo que foi noticiado, caso o Aladdin tivesse pedido desculpas logo de início, sequer teria sido preso.
 
2. É ótimo para os bonitinhos politicamente corretos da Europa e dos Estados Unidos aprenderem o que, na visão de seus protegidos, eles verdadeiramente são: objeto! Objeto para propagar sua "causa" no ocidente, sendo que as mulheres servem, ainda, de objeto sexual.
 
3. Se a imprensa ocidental verdadeiramente se interessasse em apurar e entender o que ocorre nos territórios palestinos - nos aspectos sociais, legais, políticos, etc. - a notícia acima seria brincadeira de criança. Mas, se isso fosse mesmo ser feito, ia ser difícil continuar considerando os palestinos coitadinhos e os israelenses sendo os malvados. O maniqueísmo fácil e idiota dos politicamente corretos não sobreviveria.
 
Obviamente, não estou dizendo, com base nessa notícia, que os palestinos são estupradores. Mas essa notícia parece sugerir que o estupro (sobretudo de ocidentais, ainda que muçulmanas) não é algo tão grave. E a Autoridade Palestina partilha desse entendimento.
 
Se a Autoridade Palestina não está comprometida com a segurança daquelas que a apóiam, estará minimamente interessada na segurança de quem está do outro lado da cerca?

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