terça-feira, 20 de julho de 2010

Nardoni 2010

Vejam a notícia que saiu no UOL:

Laudo aponta mentiras em entrevista de delegada afastada do caso Bruno

Laudo elaborado com base em um programa de exame de frequência de voz concluiu que a delegada Alessandra Wilke, da Delegacia de Homicídios de Contagem (MG), mentiu em momentos da entrevista exibida no domingo à noite ao programa "Fantástico", da TV Globo. A delegada é uma das duas que foram afastadas ontem (19) do inquérito que investiga o desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Souza, suspenso no Flamengo.

Segundo o laudo, ela não foi verdadeira quando afirmou que "todos os depoimentos e declarações" do inquérito que investiga o desaparecimento de Eliza Samudio "apontam para o homicídio" dela. Também não disse a verdade, de acordo com a análise da voz, quando falou do sangue encontrado pela polícia em um colchão no sítio do goleiro, localizado na cidade de Esmeraldas.

O laudo foi produzido voluntariamente pela empresa Truster Brasil, especializada em tecnologia de análise de voz. Um computador verifica os índices de estresse na fala de uma pessoa e aponta se ela diz a verdade.

O texto abaixo reproduz uma transcrição das perguntas colocadas na reportagem e as respectivas respostas da delegada, que acabou sendo afastada do caso depois da divulgação de um vídeo com declarações do goleiro Bruno gravado quando ele estava sendo transferido pela polícia do Rio de Janeiro para Minas Gerais. Logo abaixo das respostas da delegada, as observações apontadas pelo perito em veracidade Mauro Nadvorny no laudo técnico de análise de voz.


Pela primeira vez, vejo alguma notícia sobre o caso que sugere que as coisas no inquérito podem não estar tão coesas como nos é dado crer.

Bruno é o casal Nardoni versão 2010. Já foi julgado e condenado e o inquérito policial sequer foi concluído! E, no caso dos Nardoni, pelo menos havia um cadáver. Neste caso do Bruno, nem isso.

Esse laudo produzido sobre a entrevista da delegada ao Fantástico dificilmente valeria como prova em um eventual processo, já que a parte contrária (Ministério Público) não teve participação na sua elaboração. Mas já começa a colocar as coisas em perspectiva.

Somente sei o que há contra o Bruno através da imprensa. E, pelo que vi, nada mais há do que indícios até o momento. Existe probabilidade de que a mulher esteja morta e possibilidade de que Bruno seja um dos responsáveis. Só.

De fato, a lei processual brasileira permite, em tese, que haja um julgamento e até uma condenção por homicídio, sem o cadáver. O art. 158 do Código de Processo Penal diz que quando a infração deixar vestígios, será imprescindível o exame de corpo de delito, não podendo supri-lo a confissão do acusado. Já o 167 diz que, desaparecendo os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir a falta da perícia.*

Mas, na prática, para que se consiga provar suficientemente a ocorrência do crime (materialidade) e a autoria, a prova testemunhal deveria ser muito firme. Não sei se há ou haverá isso no caso do Bruno.

Não sei se o cara é culpado ou inocente. A imprensa faz seu papel, de divulgar informação de interesse público. A polícia, por outro lado, deveria ser mais cautelosa naquilo que divulga sobre as investigações. Em um caso como esse, é praticamente impossível evitar que o público forme de antemão uma opinião (em geral condenatória). Mas o que for possível de evitar disso, deverá ser evitado. Se for para o réu ser condenado, que o seja, mediante prova de autoria e materialidade, no devido momento. Afinal de contas, vai que o cara é absolvido no júri...

* viram como juridiquês não é tão complicado assim para quem sabe português?

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