domingo, 13 de junho de 2010

Não conta pra ninguém que eu estou do seu lado!

O Times (de Londres) noticia que a Arábia Saudita liberou seu espaço aéreo para que aviões israelenses possam bombardear instalações nucleares do Irã. Mas essa autorização foi por debaixo dos panos. O governo saudita nega que tenha liberado e, obviamente, o governo israelense também não confirma. Mesmo porque a Arábia Saudita não tem relações diplomáticas com Israel. Segundo informa o jornal inglês, os sauditas estão, inclusive, conduzindo testes para desativar temporariamente suas defesas antiaéreas para garantir que, caso Israel decida, mesmo, atacar o Irã, a passagem dos aviões pelo espaço aéreo Saudita ocorra sem percalços. Ou seja, os sauditas não vão realmente deixar os aviões passarem; vão simplesmente olhar para o outro lado.

É interessante. Vários dos países árabes da região têm interesse tão grande ou maior do que Israel em eliminar a capacidade nuclear do Irã, antes que o Ahmadinejad tenha a bomba pronta. Mas, aliar-se publicamente a Israel no intento de eliminar (ou ao menos postergar) essa ameaça, nem pensar. Se o bombardeio, efetivamente, acontecer, o mundo inteiro vai cair na cabeça de Israel. Mas, secretamente, todo mundo - inclusive, vários países árabes - vão adorar que os israelenses fizerem o serviço.
Tenho sérias dúvidas se seria uma boa estratégia Israel atacar sozinho o Irã. Embora se saiba que a força aérea já tem planos de ataque e os treina já há algum tempo, acredito que isso seria uma medida extremamente temerária - para dizer o mínimo. O primeiro efeito de um ataque seria a união da população iraniana (cujas rachaduras estão aparecendo, mesmo com a severa repressão feita pelo amiguinho do Lula) em torno do regime dos aiatolás. E o fortalecimento do regime não interessa a ninguém.

Mas, independente disso, o fato é que, se os países da região a quem interessa tão pouco quanto Israel que o Irã tenha armas nucleares, dessem um passo à frente e assumissem publicamente uma aliança - ou mesmo um compromisso - de impedir que o Irã desenvolva armas atômicas, o caminho adiante, não só com relação a isso, mas no Oriente Médio em geral, ficaria um pouco mais fácil.

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