terça-feira, 22 de junho de 2010

Dunga e Voldemort

Ontem o Reinaldo Azevedo fez no seu blog uma comparação extremamente interessante entre a ojeriza do Dunga e do Lula à imprensa. Hoje de manhã, outra comparação veio-me à mente. Como todo mundo sabe, na entrevista coletiva do Dunga após o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim, o treinador murmurou palavrões ao jornalista Alex Escobar, do SporTV (logo, da Globo). Horas depois, no Fantástico, o Tadeu Schmidt criticou duramente a postura do Dunga.

Ainda ontem, foi divulgada uma informação, cuja confirmação vi hoje no portal Terra, de que a origem desse entrevero na coletiva foi o fato de que, a despeito de a Globo ter combinado com o Ricardo Teixeira uma matéria exclusiva na concentração da seleção (para ser exibida exatamente no Fantástico), Dunga vetou-a.

Aí o tempo fechou de vez. O que me chamou a atenção sobre como a coisa ficou a partir desses eventos foi o que vi hoje de manhã no noticiário da SporTV sobre a Copa.

Enquanto eu estava me vestindo para vir trabalhar, a TV estava ligada no SporTV, no momento em que os comentaristas debatiam quem será o substituto de Kaká no jogo de sexta-feira contra Portugal: Júlio Baptista ou Nilmar. O curioso é que, ao longo da matéria e do debate que se seguiu, nenhum dos envolvidos citou o nome de Dunga uma só vez! Referiam-se a ele como "ele", como "o treinador", como "aquele que comanda a seleção". Aí, a associação com "Aquele que não deve ser nomeado" (modo pelo qual os bruxos do bem, na série Harry Potter, referem-se a Voldemort, o vilão) foi inevitável.

Aí eu já acho que é demais. Realmente, a postura do Dunga com relação à imprensa sempre foi criticável. Ainda que a imprensa encha o saco, seja invasiva, etc., tratá-la como inimiga é traço de mente autoritária (daí a felicidade da comparação que Reinaldo Azevedo fez entre Dunga e Lula). Mas tampouco a imprensa (no caso, um órgão de imprensa) deve tratá-lo como inimigo, como vilão, alguém cujo nome sequer merece ser pronunciado.

Até porque, depois de esclarecido o que ocorreu antes da coletiva, a atitude de Dunga na coletiva, embora permaneça injustificável, torna-se mais compreensível: ninguém fica feliz quando toma carteirada de quem quer que seja.

De resto, coitado do Dunga (cada vez mais) se o Brasil não for campeão.

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