segunda-feira, 21 de junho de 2010

Brasil e Costa do Marfim

Como era de se esperar, foi bem melhor do que a estréia. Sobre a repercussão do jogo, naturalmente, os assuntos que se destacam são o segundo gol do Luís Fabiano e a expulsão do Kaká.

Quanto ao gol, o que está dando o tom da discussão é a moralidade ou não de se comemorar e reconhecer a extrema beleza da jogada, tendo em vista o fato de que o jogador usou o braço duas vezes para dominar a bola. O gol foi lindo, mas foi ilegal. Seria imoral, diante da irregularidade do gol, considerá-lo o mais bonito da Copa até o momento? Qual a moral se o próprio dirigente máximo da Fifa disse, ao descartar mais uma vez a proposta de uso de replay para auxiliar a arbitragem, que a graça do futebol é exatamente o fato de que o juiz erra? De acordo com o raciocínio da Fifa, o gol do Luís Fabiano deve ser duplamente celebrado: pela beleza da jogada e por ter sido coroado com um erro do juiz que viu (ou fez que não viu) o jogador matar a bola no braço. Para quem espera que o futebol seja uma competição minimamente justa, o golaço do Luís Fabiano sempre terá um senão. Para quem acha bacaninha que a falibilidade do juiz faz parte espetáculo e quando a falha se reverte em gol dá mais graça, nada de mais aconteceu.

Mas será tem tanta graça assim a injusta eliminação da Irlanda da Copa? Ou a perna do Elano que, por sorte, não foi fraturada? Ora, se as funções do juiz são, basicamente, controlar a legalidade das jogadas e a disciplina em campo, a "beleza" do erro do juiz pode significar tanto uma vitória, uma classificação, uma eliminação e até um título como pode também significar uma perna quebrada.

E a expulsão do Kaká? O primeiro cartão amarelo é discutível. O segundo não. Ele deu uma cotovelada no jogador da Costa do Marfim. Um monte de gente tá dizendo que não foi propriamente uma cotovelada, ele apenas elevou o cotovelo. Pera aí. Para ser cotovelada tem que ser igual a que o Leonardo deu no jogador dos Estados Unidos em 1994, nocauteando o cara e mandando-o para o hospital? "Não, o Kaká agiu em legítima defesa, ergueu o braço para se defender". Se em um caso semelhante eu vier com um tese de defesa dessas em um júri, vai acontecer comigo (comigo, não, com o réu) o que aconteceu hoje com a Coréia do Norte: tomo de 7 a 0.

Podem-se apontar dois co-responsáveis pela expulsão do Kaká: o juiz, que deixou o jogo descabar para a pancadaria e Dunga, que não tirou o Kaká imediatamente após o primeiro cartão amarelo. Mas ficou claro que o Kaká viu o jogador adversário aproximando-se por trás e deliberadamente levantou o cotovelo para atingi-lo. Isso não é legítima defesa. Parece mais a velha história do homicídio a facadas, em que o réu explica que estava segurando a faca com a lâmina para cima, a vítima escorregou e caiu sobre a faca. O promotor pergunta: todas as 42 vezes?

Agora, Portugal. Já já o povo vai começar a falar que vai ser difícil porque o Brasil ganhou da Coréia só por 2 a 1 e Portugal meteu 7. Bobagem. Se jogar bem, com objetividade e atenção, a classificação em primeiro lugar é certa. Se.

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