quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os piores ditadores do mundo

Ainda na Foreign Policy (estou gostando dessa revista), há um artigo escrito por George B. N. Ayittey, natural de Gana e presidente da Free Africa Foundation, sediada em Washignton, com o título The Worst of the Worst, no qual ele apresenta os 24 piores ditadores do mundo.

Há uma introdução e, a seguir, cada um dos ditadores é apresentado, com currículo e número de anos que cada um está no poder. É quase emocionante ver tantos amigões do presidente Lula na lista, tais como Hugo Chavez, Mahmoud Ahmadinejad, Bashar Al Assad (com quem se encontrou hoje), Raul Castro, Omar Hassam Al Bashir, etc.

Da introdução, destaco e traduzo o seguinte trecho, que diz tudo.

"Although all dictators are bad in their own way, there's one insidious aspect of despotism that is most infuriating and galling to me: the disturbing frequency with which many despots, as in Kyrgyzstan, began their careers as erstwhile "freedom fighters" who were supposed to have liberated their people.

I call these revolutionaries-turned-tyrants "crocodile liberators," joining the ranks of other fine specimens: the Swiss bank socialists who force the people to pay for economic losses while stashing personal gains abroad, the quack revolutionaries who betray the ideals that brought them to power, and the briefcase bandits who simply pillage and steal. Here's my list of the world's worst dictators. I have ranked them based on ignoble qualities of perfidy, cultural betrayal, and economic devastation. If this account of their evils makes you cringe, just imagine living under their rule"

(Embora todos os ditadores sejam maus à sua própria maneira, há um aspecto insidioso do despostismo que é mais enfurecedor e nauseante para mim: a perturbadora frequência com a qual vários déspotas, como no Quirgistão, começaram suas carreiras autodenominando-se "lutadores da liberdade", que supostamente libertaram seus povos.
 
Eu chamo esses revolucionários transformados em tiranos "libertadores-crocodilo", que se juntam às fileiras de outro espécime: os socialistas de bancos suiços que forçam seus povos a pagarem pelas perdas econômicas enquanto acumulam ganhos pessoais no exterior, os revolucionários de araque que traem os ideiais que os levaram ao poder e os bandidos com uma maleta, que simplesmente pilham e roubam. Aqui está minha lista dos piores ditadores do mundo. Eu os classifiquei baseando-me nas ignóbeis qualidades de perfídia, traição cultural e devastação econômica. Se a contabilização de suas maldades fazem você ter arrepios, imagine viver sob seu jugo).
 
De fato. Sempre que um ditador chega ao poder foi lutando contra a opressão anterior. Afinal, boa parte dos que lutaram contra a ditadura militar no Brasil faziam-no com o objetivo de implantar aqui outra ditadura - comunista (inclusive a ex-guerrilheira que é candidata oficial à sucessão).
 
Vale ver o perfil de cada um dos ditadores. Vamos achar nas apresentações desses magníficos senhores muitas características que nos parecerão assustadoramente familiares.
 

O índice dos estados fracassados

A revista Foreign Policy divulgou um ranking anual chamado Failed States Index, cuja tradução mais aproximada pode ser a do título deste post: o indíce dos estados fracassados. Esse ranking é resultado de um estudo conjunto da revista com o Fundo para a Paz das Nações Unidas e leva em consideração 12 critérios para definir o quão fracassado é o estado. O top ten deste ano é o que se segue (do mais ferrado para o menos):

1. Somália
2. Chad
3. Sudão
4. Zimbabue
5. República Democrática do Congo
6. Afeganistão
7. Iraque
8. República Centro Africana
9.Guiné
10. Paquistão

Os dez países acima citados são os mesmos que estavam no top ten de 2009, com algumas mudanças de posição na tabela. O Iraque e o Afeganistão trocaram de posições em relação a 2009, o que pode significar que a coisa no Iraque está começando a andar, ainda que a passos trôpegos. A Somália é tricampeã do ranking.

O que esses países têm em comum? Ditaduras; guerras civis e/ou tribais; pobreza extrema ainda que alguns deles (como a República Democrática do Congo, por exemplo) tenham grandes riquezas naturais. Vários deles (não todos) vêem-se à volta com terroristas e/ou radicais islâmicos.

Todos eles foram colônias européias até meados do século passado. E muita da culpa dessa miséria extrema em todos os sentidos que esses países enfrentam é colocada no imperialismo europeu e, posteriormente, no imperialismo norte-americano. Mas o que eles (os próprios países) estão fazendo para tentar melhorar, além de culpar sempre a história ou o inimigo externo?


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Realidade

Uma reportagem do Jerusalem Post noticia que a polícia israelense, em conjunto com o Shin Bet (serviço de segurança), prendeu sete árabes israelenses, membros de uma célula terrorista ligada à Al-Qaida e à Global Jihad. Segundo o agente que chefiou a operação, Avi Elgrisi, essa é uma das mais perigosas células terroristas já descobertas.

Contudo, a parte mais relevante da reportagem, a meu juízo, é a seguinte:

"The Shin Bet also found that after the murder, Ahmed and Janam attempted to travel to an al-Qaida training camp in Somalia to join the fighting against the Christian "heretics" as well as against the US, but were barred from entering Somalia at the Kenyan border". (O Shin Bet também descobriu que após o assassinato [de um taxista isralense, cuja investigação levou à descoberta dessa célula terrorista], Ahmed e Janam [dois dos sete presos] tentaram viajar para um campo de treinamento da Al-Qaida na Somália para se juntarem à luta contra os "hereges critsãos", bem como contra os EUA, mas foram impedidos de entrar na Somália na fronteira com o Quênia).

O que isso singifica? Que, mais uma vez, está provado que esse pessoal não está lutando "contra a opressão isrealense", para "libertar Gaza" ou pela existência de um estado palestino. Tampouco estão lutando contra o "imperialismo americano". Estão lutando contra os infiéis, o que inclui não só os judeus, mas os cristãos. Inclusive os cristãos europeus que aplaudem e apoiam as "frotas humanitárias", que chamam os terroristas de militantes e que se horrorizam quando alguém como Gelert Wilders obtém uma expressiva votação como a que teve nas recentes eleições parlamentares holandesas.

No que se refere ao terrorismo muçulmano, judeus e cristãos estão (ou deveriam estar) do mesmo lado, independentemente de orientação política ou ideológica. Porque a intolerância dos que se colocaram no outro lado não é nem política nem ideológica. É religiosa. Pensar diferente é negar a realidade. Pensar diferente é achar que Hitler ficará satisfeito com a anexação da Áustria, a ocupação dos Sudetos e a remilitarização da Renânia.

Link para a reportagem: http://www.jpost.com/Israel/Article.aspx?id=179765

Começou a Copa

Como era de se esperar as primeiras rodadas das oitavas de final superaram em muito o nível da primeira fase. Apenas para ilustrar, a média de gols na primeira fase foi em torno de 2,1 (menor média histórica). Só nos primeiros quatro jogos das oitavas, a média foi 3,75.

Mas as arbitragens nessa Copa estão abaixo da crítica. Até quando a Fifa vai insistir nesse obscurantismo de negar-se peremptoriamente a utilizar a tecnologia disponível na arbitragem? Esta Copa já teve, pelo menos, quatro erros absurdos, facilmente evitáveis se o juiz pudesse utilizar recursos de televisão para o auxiliar: o gol inexplicavelmente anulado dos Estados Unidos contra a Eslovênia; o belíssimo gol de mão e chapéus do Luis Fabiano contra Costa do Marfim; e, ontem, o gol da Inglaterra que o juiz não deu apesar de a bola ter entrado inequivocamente e o primeiro gol da Argentina, impedimento óbivo e evidente.

Pode-se argumentar que nenhum desses erros foi determinante para o destino dos jogos e para o próprio destino da Copa. Mas, além desse argumento ser estúpido (a arbitragem deve ser correta independentemente de qualquer outro fator), sequer pode-se ter certeza disso. Tomando os jogos de ontem como exemplo.

A bola chutada por Lampard, que entrou no gol e só o juiz e os bandeiras não viram seria o gol de empate da Inglaterra. É bem possível que, se os ingleses tivessem conseguido empatar ainda no primeiro tempo, não teriam ido tão abertos e afoitos no segundo, dando tanta chance de contra-ataque aos alemães.

Já no jogo Argentina e México, quando os argentinos fizeram o primeiro (e impedidíssimo) gol, os mexicanos estavam melhores em campo, tendo ameaçado o gol argentino muito mais do que foram ameaçados. E deu para ver com clareza que, após o primeiro gol, os mexicanos perderam totalmente o foco, ficaram claramente abalados com o absurdo que foi esse gol.

Em ambos os jogos, é ainda assim provável que os vencedores fossem, mesmo, Alemanha e Argentina, respectivamente. Mas, provavelmente, se não fossem os erros absurdos de arbitragem que ocorreram nos dois jogos, teriam tido histórias diferentes.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Arrivederci

Assisti quase todo o segundo tempo. Um dos melhores jogos da Copa até agora. Mais uma seleção tradicional que se vai. Em geral, tradição pesa em Copa. Este ano, porém, está ficando claro que só isso não resolve.

Melhor o McDonald´s adaptar os dias do menu da Copa. Terça foi o Mc França; hoje foi o Mc Itália. Tô doido pra chegar o dia do McArgentina!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Au revoir

Estive pensando em alguma coisa para dizer sobre a saborosa eliminação da França. Foi dito aqui e ali "eliminação pematura". Não foi. Foi extremamente tardia. A eliminação deveria ter ocorrido nas eliminatórias e, todos sabemos, não ocorreu porque o juiz deu uma mãozinha à mãozona do Henry. O fiasco da França na Copa foi mais ou menos uma satisfação moral para, de certo modo, compensar a injustiça de que foi vítima a Irlanda, decorrente da recalcitrância da Fifa em descobrir que o século XXI já chegou.

Mas o melhor comentário que vi sobre a campanha da França na Copa foi o seguinte, no blog de Wanderly Nogueira, no Terra:

"Depois de tudo o que aconteceu nesse Mundial, com a seleção francesa fazendo de tudo para facilitar as coisas para os adversários, o chefe da delegação deveria ter sido algum discípulo do Marechal Petain".

Intolerância religiosa como defesa

Em entrevista coletiva concedida hoje, Kaká afirmou ser vítima de preconceito religioso, por ser evangélico. Referindo-se ao jornalista Juca Kfouri, disse o jogador (conforme notícia do UOL):

Ele [Kfouri] tem dirigido os canhões para mim, não profissionalmente, mas de uma forma pessoal, direcionada a minha fé em Jesus Cristo. Respeito ele como ateu, mas espero respeito com aquele que professa sua fé através de Jesus Cristo.

E digo isso não só a meu respeito, mas falando de milhões de brasileiros que creem em Deus e em Jesus Cristo”.

Bem, eu acompanho quase diariamente o blog o Juca Kfouri no UOL. Embora eu discorde de várias - não a maioria - opiniões dele (mesmo porque ler só aquilo com que se concorda não faz muito sentido), jamais me lembro de ter lido qualquer crítica à opção religiosa de qualquer jogador, inclusive Kaká. O que ocorreu foi, após a final da Copa das Confederações, Juca ter criticado o proselitismo religioso que Kaká e outros jogadores evangélicos fizeram na comemoração (e com essa opinião do Juca Kfouri, concordei em gênero, número e grau).
 
Há uma diferença profunda entre criticar uma fé e criticar o uso que dela se faz. A crítica do Juca Kfouri está situada no segundo aspecto. Para usar as palavras do jornalista ao responder, em seu blog, a Kaká: "Critico sim o merchandising religioso que ele e outros jogadores da Seleção costumam fazer, tentando nos enfiar suas crenças goela abaixo. Um tal exagero que a Fifa tratou de proibir, depois do que houve na comemoração da Copa das Confederações".

No entanto, essa fala do Kaká é bastante sintomática de religiosos, digamos, radicais. Qualquer crítica que se faz contra a pessoa é não pelo que ela fez ou deixou de fazer. "Sou criticado porque sou evangélico; sou criticado porque sou muçulmano". Logo, o argumento crítico é desautorizado, mediante a acusação àquele que critica de intolerância religiosa. Lembro-me agora que o preclaro ex-governador Anthony Garotinho, sempre que era pego com a boca na botija, acusava a imprensa que noticiava seus escândalos de preconceituosa, pelo fato dele ser evangélico.

Obviamente, no quesito honestidade, não comparo Kaká a Garotinho. Mas na forma que respondem às críticas, lamentavelmente o jogador aproximou-se do ex-governador.

Estado Policial

Na Folha on line:

"Prisões têm escuta para gravar advogado e preso

Relatório do próprio governo admite a instalação de equipamentos de gravação nos parlatórios, locais em que se realizam as conversas entre advogados e presos, das quatro penitenciárias federais do país, informa reportagem de Matheus Leitão e Lucas Ferraz, publicada nesta terça-feira pela Folha.

Segundo especialistas, a medida é inconstitucional, pois essas conversas deveriam ser invioláveis.

Em pelo menos um caso, que ocorreu no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS), o governo gravou conversas entre os detentos e os profissionais que os defendem.

O Ministério Público Federal investiga a instalação de equipamentos também nos locais para encontros íntimos da penitenciária.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti, questionou a possibilidade do uso dos aparelhos para gravação indiscriminada.

A instalação de escutas tem um grave problema: permite fazer a gravação antes e pedir autorização à Justiça depois, diz o advogado Ives Gandra Martins.

Em documento à OAB, o Ministério da Justiça alega que os equipamentos são voltados para "segurança" e "inteligência" e que o uso não faz parte da rotina das penitenciárias. Ocorreu em "caráter excepcional" e com "autorização judicial".

Procurado, o Ministério da Justiça não se manifestou oficialmente".

Sobre a inconstitucionalidade da instalação desses equipamentos para gravar conversas entre presos e seus advogados, de modo permanente, nem precisa dizer.
 
No que se refere à justificativa apresentada pelo Ministério da Justiça à OAB, ainda que seja verdade, é inconstitucional da mesma forma. Nem mesmo com autorização judicial seria constitucional monitorar e gravar a conversa do preso com seu advogado. Nas decisões judiciais que deferem quebra de sigilos vários, em geral a fundamentação (quando correta) é no sentido de que, em determinadas situações, havendo indícios de prática de crime, e não sendo possível obter a prova de outra maneira (é o que está na lei que rege a escuta telefônica, por exemplo) o direito à privacidade do investigado cede em prol da tutela do interesse violado pelo crime sob investigação.
 
Mas, aqui, o buraco é bem mais embaixo. No que se refere à conversa entre o advogado e seu cliente, a ponderação que se faz não é entre o direito à privacidade e a tutela do bem jurídico violado pelo crime; é entre essa tutela e o direito à ampla defesa. Como é inconcebível um Estado Democrático de Direito sem que seja assegurada em qualquer hipótese a ampla defesa, no fim das contas, a ponderação fica entre o Estado Democrático de Direito e o Estado Policial. Infelizmente, é esse útlimo que está ganhando a disputa. E com chancela judicial.

Dunga e Voldemort

Ontem o Reinaldo Azevedo fez no seu blog uma comparação extremamente interessante entre a ojeriza do Dunga e do Lula à imprensa. Hoje de manhã, outra comparação veio-me à mente. Como todo mundo sabe, na entrevista coletiva do Dunga após o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim, o treinador murmurou palavrões ao jornalista Alex Escobar, do SporTV (logo, da Globo). Horas depois, no Fantástico, o Tadeu Schmidt criticou duramente a postura do Dunga.

Ainda ontem, foi divulgada uma informação, cuja confirmação vi hoje no portal Terra, de que a origem desse entrevero na coletiva foi o fato de que, a despeito de a Globo ter combinado com o Ricardo Teixeira uma matéria exclusiva na concentração da seleção (para ser exibida exatamente no Fantástico), Dunga vetou-a.

Aí o tempo fechou de vez. O que me chamou a atenção sobre como a coisa ficou a partir desses eventos foi o que vi hoje de manhã no noticiário da SporTV sobre a Copa.

Enquanto eu estava me vestindo para vir trabalhar, a TV estava ligada no SporTV, no momento em que os comentaristas debatiam quem será o substituto de Kaká no jogo de sexta-feira contra Portugal: Júlio Baptista ou Nilmar. O curioso é que, ao longo da matéria e do debate que se seguiu, nenhum dos envolvidos citou o nome de Dunga uma só vez! Referiam-se a ele como "ele", como "o treinador", como "aquele que comanda a seleção". Aí, a associação com "Aquele que não deve ser nomeado" (modo pelo qual os bruxos do bem, na série Harry Potter, referem-se a Voldemort, o vilão) foi inevitável.

Aí eu já acho que é demais. Realmente, a postura do Dunga com relação à imprensa sempre foi criticável. Ainda que a imprensa encha o saco, seja invasiva, etc., tratá-la como inimiga é traço de mente autoritária (daí a felicidade da comparação que Reinaldo Azevedo fez entre Dunga e Lula). Mas tampouco a imprensa (no caso, um órgão de imprensa) deve tratá-lo como inimigo, como vilão, alguém cujo nome sequer merece ser pronunciado.

Até porque, depois de esclarecido o que ocorreu antes da coletiva, a atitude de Dunga na coletiva, embora permaneça injustificável, torna-se mais compreensível: ninguém fica feliz quando toma carteirada de quem quer que seja.

De resto, coitado do Dunga (cada vez mais) se o Brasil não for campeão.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Brasil e Costa do Marfim

Como era de se esperar, foi bem melhor do que a estréia. Sobre a repercussão do jogo, naturalmente, os assuntos que se destacam são o segundo gol do Luís Fabiano e a expulsão do Kaká.

Quanto ao gol, o que está dando o tom da discussão é a moralidade ou não de se comemorar e reconhecer a extrema beleza da jogada, tendo em vista o fato de que o jogador usou o braço duas vezes para dominar a bola. O gol foi lindo, mas foi ilegal. Seria imoral, diante da irregularidade do gol, considerá-lo o mais bonito da Copa até o momento? Qual a moral se o próprio dirigente máximo da Fifa disse, ao descartar mais uma vez a proposta de uso de replay para auxiliar a arbitragem, que a graça do futebol é exatamente o fato de que o juiz erra? De acordo com o raciocínio da Fifa, o gol do Luís Fabiano deve ser duplamente celebrado: pela beleza da jogada e por ter sido coroado com um erro do juiz que viu (ou fez que não viu) o jogador matar a bola no braço. Para quem espera que o futebol seja uma competição minimamente justa, o golaço do Luís Fabiano sempre terá um senão. Para quem acha bacaninha que a falibilidade do juiz faz parte espetáculo e quando a falha se reverte em gol dá mais graça, nada de mais aconteceu.

Mas será tem tanta graça assim a injusta eliminação da Irlanda da Copa? Ou a perna do Elano que, por sorte, não foi fraturada? Ora, se as funções do juiz são, basicamente, controlar a legalidade das jogadas e a disciplina em campo, a "beleza" do erro do juiz pode significar tanto uma vitória, uma classificação, uma eliminação e até um título como pode também significar uma perna quebrada.

E a expulsão do Kaká? O primeiro cartão amarelo é discutível. O segundo não. Ele deu uma cotovelada no jogador da Costa do Marfim. Um monte de gente tá dizendo que não foi propriamente uma cotovelada, ele apenas elevou o cotovelo. Pera aí. Para ser cotovelada tem que ser igual a que o Leonardo deu no jogador dos Estados Unidos em 1994, nocauteando o cara e mandando-o para o hospital? "Não, o Kaká agiu em legítima defesa, ergueu o braço para se defender". Se em um caso semelhante eu vier com um tese de defesa dessas em um júri, vai acontecer comigo (comigo, não, com o réu) o que aconteceu hoje com a Coréia do Norte: tomo de 7 a 0.

Podem-se apontar dois co-responsáveis pela expulsão do Kaká: o juiz, que deixou o jogo descabar para a pancadaria e Dunga, que não tirou o Kaká imediatamente após o primeiro cartão amarelo. Mas ficou claro que o Kaká viu o jogador adversário aproximando-se por trás e deliberadamente levantou o cotovelo para atingi-lo. Isso não é legítima defesa. Parece mais a velha história do homicídio a facadas, em que o réu explica que estava segurando a faca com a lâmina para cima, a vítima escorregou e caiu sobre a faca. O promotor pergunta: todas as 42 vezes?

Agora, Portugal. Já já o povo vai começar a falar que vai ser difícil porque o Brasil ganhou da Coréia só por 2 a 1 e Portugal meteu 7. Bobagem. Se jogar bem, com objetividade e atenção, a classificação em primeiro lugar é certa. Se.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sobre a Europa e os Muçulmanos

Ontem eu mencionei a grande votação que Geert Wilders e seu Partido da Liberdade receberam nas recentes eleições parlamentares realizadas na Holanda. A Holanda é historicamente identificada como um dos países mais liberais da Europa. E, por isso, tanta gente se surpreendeu com o expressivo apoio que a política anti-islâmica defendida por Wilders recebeu.

Hoje vejo no Times que uma das cidades consideradas mais liberais da Europa - Barcelona - está proibindo o uso de burka (vestimenta que cobre o corpo inteiro, inclusive os olhos, apenas com uma telinha para a usuária poder ver) e do niqab (cobre tudo, menos os olhos) em prédios públicos. Vou apresentar algumas das reações dos muçulmanos que foram entrevistados pela reportagem do Times.

“We will just have to keep our women at home and they will not be allowed out. That’s what this ban will do. It won’t help them,” said Mohammed Tetuan, 26, a taxi driver from Morocco. ('Então nós vamos ter que manter nossas mulheres em casa, elas não serão autorizadas a sair. É isso que essa proibição vai causar. Não vai ajudá-las').

Desconheço o código penal espanhol. No brasileiro, que conheço, manter uma pessoa em casa, proibindo-a de sair contra a sua vontade chama-se cárcere privado. Suponho que, na Espanha, haja crime semelhante previsto. Imaginem a confusão que haveria se um muçulmano fosse preso por manter a mulher em cárcere privado!

Mais uma declaração.

"Fariza Habib, 32, a British-born Muslim from Rochdale who now resides in the city, said: 'This is supposed to be a liberal country where you are free to wear anything you want, but they are forcing women to take off the burka and niqab'." (Fariza Habib, 32, uma muçulmana nascida em Rochdale, Inglaterra, que atualmente reside em Barcelona, disse: 'Supostamente, este é um país liberal, no qual você é livre para vestir o que quiser, mas eles estão forçando as mulheres a não usarem a burka e o niqab).

Que graça! Duas perguntas para a senhora Bib Esfiha: 1. No país de origem de seus pais, uma mulher poderia usar calça jeans, sair à rua e sobreviver? 2. Se eu quiser entrar em um prédio público, ou mesmo em um banco, usando um pano que cubra meu rosto, vão deixar? Espero que não. A liberdade religiosa que os muçulmanos cobram na Europa não existe em seus países de origem. E a liberdade religiosa é decorrência direta do princípio da igualdade. Eles torcem as coisas: querem que sua liberdade religiosa se sobreponha à igualdade. O que vale para todos não vale para eles. Se valer, dizem-se discriminados.

Em suma. Eles mamam na democracia e na liberdade para manterem a dominação e falta de liberdade sobre as mulheres.

Juntando tudo isso - que está acontecendo em maior ou menor escala em vários países da Europa - o resultado das eleições da Holanda é tão surpreendente assim?

Ah, os fanáticos!

Artigo publicado hoje no Jerusalem Post, ipsis literis. Ele fala por si. Traduzo apenas o último parágrafo, por fundamental. Em breve explicação preliminar, Haredim é o termo que designa judeus ortodoxos (ou fanáticos). Caso haja outros termos "técnicos" no texto que os ilustres leitores desconheçam, perguntem-me nos comentários.

"THE LOST JEWS

By JERUSALEM POST EDITORIAL


Haredim have abandoned authentic Jewish values.

A collective abandonment of authentic Jewish values seems to have overtaken the haredi community.
Nothing else can explain the phenomenon of tens of thousands of religious zealots, dressed in black hats and coats, congregating under the glaring midday sun to fight for the right to discriminate against their fellow Jews.

A group of haredi families in Emmanuel has for months contemptuously refused to abide by a High Court ruling that reflects what the US Supreme Court in Brown vs. Board of Education ruled back in 1954: segregation is unjust. Emmanuel’s Ashkenazi families, most of them members of the Slonim Hassidic movement, have refused to integrate their elementary school girls with a group of Sephardi peers. They insist, instead, on maintaining a quota of “quality” Sephardi girls that makes up about a quarter of the total school body, while separating the rest. At the same time, they insist on receiving full funding from the State of Israel for their segregated educational enterprise.

Walls inside the school and on the playground that once separated the “Ashkenazi” and “Sephardi” sections were taken down under court order. As a result, the Ashkenazi families, in violation of the mandatory education law, have refused to send their children to school. Attempts to reach a compromise were rebutted by order of Rabbi Aharon Barazovsky, the leader of the Slonim Hassidim. Families were fined for being held in contempt of court, to no effect. Finally, the judges lost patience and ordered the mothers and fathers to sit in prison for the remaining two weeks of the school year.

One can argue that it was unwise for the court to imprison the recalcitrant mothers and fathers, even for such a short spell. True, they will receive special prison conditions, including separate cells, but they are not criminals in any conventional sense. They are guilty of holding the opinion – widespread in the haredi community – that Sephardim are culturally inferior to Ashkenazim. Even some Sephardim share this opinion, which explains why many – including prominent Shas MKs – choose to send their children to Ashkenazi schools, while at the same time fighting to ensure that a strong Ashkenazi majority is maintained.

MEANWHILE, DURING Thursday’s mass demonstrations, which drew over 100,000 in Jerusalem and in Bnei Brak, haredi leaders, in a convoluted perception of history, compared the High Court’s decision to incidents of repression perpetrated by the Greeks, the Romans, Tzarist Russia and even Nazi Germany.

Rabbi Yosef Efrati, a protégé of Rabbi Yosef Shalom Elyashiv, the most important living halachic authority for Ashkenazi haredim, likened the High Court’s attempt to bring together students of diverse backgrounds to idolaters striving to coerce Jews to bow down to a statue.

No, Rabbi Efrati, agreeing to learn with fellow Jews who come from a different cultural background as a condition for receiving state funds is not idolatry – it is acting like a mentsch. Even if Slonim Hassidim did not enjoy the Zionist state’s largesse, they should have accepted elementary school girls different from themselves – even those with a lower level of religious observance – as an expression of their care for fellow Jews. This is the way of Chabad and religious Zionists, among others.

To call such an arrangement idolatry is a distortion of Judaism. To compare it to the situation in Tzarist Russia reveals a total lack of appreciation for the Jewish state’s role in helping haredi Judaism rebuild itself after the Holocaust. Thanks to the security provided by the IDF, the generous funds made available by successive governments, and the exemption enjoyed by young haredi men from the obligation to serve in the IDF, there are today more devout Jews dedicating themselves to the full-time study of Torah than ever before in history. And they have the privilege of doing so in the Land of Israel thanks to the secular Zionists whose initiative broke nearly 2,000 years of humiliating exile.

Nor does the haredi community seem to appreciate Israel’s democracy. Despite the short notice, police fastidiously guarded the haredi community’s right to protest the High Court’s ruling. Haredi leaders were free to publicly criticize the court and the state. If one day the haredim become the majority in Israel, would they treat minority groups so fairly? Ask the Sephardi girls who were walled out in Emmanuel".
 
Tradução livre do último parágrafo: "Tampouco parece que a comunidade haredi aprecia a democracia israelense. Apesar da pouca antecedência com que [a manifestação] foi noticiada [às autoridades], a polícia garantiu o direito dos haredim de protestarem contra a decisão da Suprema Corte. Líderes haredim foram livres para criticarem publicamente a Corte e o Estado. Se algum dia os haredim se tornarem maioria em Israel, será que eles tratarão os grupos minoritários com tal justiça? Pergunte às meninas sefaradim que foram excluídas em Emmanuel".
 
Fanáticos são fanáticos. Religiosos, ideológicos, ecológicos, etc.
 
Se os terroristas árabes ou persas não conseguirem acabar com Israel, talvez os haredim consigam. Talento eles já demonstraram.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Valores

O ex-primeiro ministro espanhol José Maria Aznar escreve artigo no Times de hoje sobre a posição do ocidente em geral e da Europa em particular sobre Israel e o conflito no Oriente Médio. Destaco o seguinte trecho que, acho, resume bem o que está acontecendo (tradução livre a seguir):

"To defend Israel’s right to exist in peace, within secure borders, requires a degree of moral and strategic clarity that too often seems to have disappeared in Europe. The United States shows worrying signs of heading in the same direction.
The West is going through a period of confusion over the shape of the world’s future. To a great extent, this confusion is caused by a kind of masochistic self-doubt over our own identity; by the rule of political correctness; by a multiculturalism that forces us to our knees before others; and by a secularism which, irony of ironies, blinds us even when we are confronted by jihadis promoting the most fanatical incarnation of their faith. To abandon Israel to its fate, at this moment of all moments, would merely serve to illustrate how far we have sunk and how inexorable our decline now appears".

"A defesa do direito de Israel existir em paz, dentro de fronteiras seguras, requer um grau de esclarecimento moral e estratégico que frequentemente parece ter desaparecido na Europa. Os Estados Unidos tem mostrado sinais preocupantes de estar indo na mesma direção.

"O Ocidente está atravessando um período de confusão acerca da conformação do futuro mundial. Em grande parte, essa confusão é causada por uma espécie de auto-dúvida masoquista sobre nossa própria identidade; pelo império do politicamente correto; por um multiculturalismo que nos faz ajoelhar perante os outros; e por um secularismo que - suprema ironia - cega-nos mesmo quando somos confrontados por jihadistas que promovem a encarnação mais fanática de sua fé. Abandonar Israel à própria sorte, neste momento crucial, serviria apenas para ilustrar o quão baixo já descemos e quão inexorável nosso declínio parece".

O diagnóstico das causas dessa confusão parece-me bastante exato. Sobretudo o que eu traduzi por "império do políticamente correto". Estou convencido de que o império do politicamente correto obscurece a visão das pessoas, desde questões mundiais importantíssimas, até a final do Big Brother, na qual uma disputa idiota de carisma e simpatia se tornou uma disputa entre o politicamente incorreto e o membro de uma minoria discriminada. Mas, mesmo na Europa, e com relação às coisas sérias, os ventos estão começando a mudar e tenho minhas dúvidas se estão mudando para um direção segura.

Como uma reação, diria eu, até certo ponto natural ao aumento das comunidades islâmicas na Europa e ao radicalismo daqueles que se manifestam (não lembro ter tido notícia de algum lider islâmico na Europa condenar atentados terroristas como os de Londres e Madri), um sentimento anti-islâmico tem ganhado força. Como exemplos mais eloquentes disso, podemos citar a proibição na Suíça de construção de minaretes aprovada em plebiscito e, de forma mais notável, o resultado das recentes eleições parlamentares na Holanda.

O Partido da Liberdade, liderado por Geert Wilders saiu-se das eleições realizadas no início do mês na Holanda como o grande vencedor. Conquanto não tenha conseguido maioria no parlamento, ficando com a terceira maior bancada, o partido saiu de 9 cadeiras para 23 (o partido majoritário ficou com 31), sendo que o parlamento holandês é composto de 150. Wilders é conhecido por defender uma política abertamente anti-islâmica, defendendo a restrição ou mesmo proibição de imigração de muçulmanos para a Holanda, proibição de construção de novas mesquitas e até tributação pelo uso de véus por mulheres muçulmanas, dentre outras coisas. Há grande possibilidade de que o partido de Wilders venha a compor a nova coalização de governo.

A premissa básica da política de Wilders - que conquistou grande apoio na população holandesa - é a defesa de que os valores ocidentais são superiores, do ponto de vista de civilização mesmo, aos valores islâmicos e que a intolerância dos muçulmanos que vivem na Europa em aderir a esses valores os ameaça. Segundo Wilders, o Corão é nazista. Ele costuma dizer que, a continuar nesse curso, os holandeses serão, em breve, minoria em seu próprio país. Em um primeiro momento, no que se refere aos valores ocidentais, pode-se até dizer que sim, são superiores. Democracia, igualdade entre homens e mulheres, direitos de homossexuais, liberdade de expressão e de imprensa, liberdade religiosa (ops! será que a liberdade religiosa permanece sendo um valor ocidental?), provaram-se, no curso da história, valores indispensáveis ao desenvolvimento humano, os meios mais eficazes de a sociedade se desenvolver cultural, política e economicamente.

O problema é de limite. É tênue o limite entre a posição externada por José Maria Aznar (mais moderada) e a de Geert Wilders (bem mais radical). Como tênue será o limite entre a superioridade moral, ética e jurídica dos valores ocidentais em detrimento dos radicais islâmicos e a superioridade étnica (que já sabemos onde leva) daqueles em relação a esses.

Se é verdade que, conforme dito por Aznar, o império do politicamente correto põe em risco o sistema de valores ocidentais, a radicalização do discurso anti-islâmico capitaneada por Wilders pode terminar por criar esse mesmo risco. Embora Wilders declare o contrário, não sei o que pensam os que o seguem e o que eventualmente o sucederá.

Na verdade, penso que o problema pode ser resumido assim: o politicamente correto é um subproduto extremamente tóxico das liberdades democráticas. Como renunciar a ele sem renunciar a elas? Esse, talvez, seja o maior dilema que o ocidente tenha a enfrentar nas próximas décadas.
Link para o artigo de José Maria Aznar no Times: http://www.thetimes.co.uk/tto/opinion/columnists/article2559280.ece

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Brasil e Coréia do Norte

Como era de se esperar, todo mundo caindo de pau na seleção, não sem uma certa razão. Digo, porém, o seguinte: Qual time consegue jogar bem contra um time absolutamente retrancado, com TODOS os jogadores atrás da linha da bola? Impossível. O Brasil poderia ter jogado melhor? Sim. Poderia, por exemplo, ter tentado fazer mais vezes o que fez nos dois gols: acelerar o passe para que alguém que viesse de trás ou das laterais tivesse condição de entrar chutando. E, obivamente, o gol tomado no finaliznho foi ridículo. A time achou que o jogo já tinha acabado.

O jogo, pelo menos para mim, não foi decepcionante; foi exatamente do jeito que eu achei que seria. Há quatro anos sabemos que o time do Dunga tem extrema dificuldade para jogar contra times retrancados (maior, de fato, do que a dificuldade normal a que me referi acima). As melhores apresentações da seleção sob o comando de Dunga foram, em regra, contra grandes seleções, que jogam e deixam jogar.

Decepcionante, mesmo, foi o Kaká. Não que eu esperasse muito dele na estréia. Mas, ainda assim, ficou abaixo da (pouca) expectativa. Não acertou um passe, não fez nada. Já que esta seleção está sendo tão comparada à de 1994, sugiro que o Dunga - capitão daquele time - lembre-se do Raí naquela Copa, que não estava jogando nada e o técnico botou, sem titubear, para esquentar o banco.

De resto, a Copa continua de baixíssimo nível - com exceção até agora da Alemanha. Daqui a pouco a Espanha joga. Mas contra outro time tradicionalmente retranqueiro (Suiça). Não me surpreenderei se o jogo for ruim também.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Besteiras legais

Frequentemente reportagens sobre questões legais falam besteira. No site da UOL e na Folha de São Paulo de hoje:

"ESTUPRADOR SE BENEFICIA DE LEGISLAÇÃO MAIS DURA

A nova legislação sobre crimes sexuais, que pretendia ser mais rígida e definiu o atentado violento ao pudor também como estupro, tornou mais brandas as penas contra criminosos, informa reportagem de Rogério Pagnan, publicada nesta terça-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Antes, havia condenação pelos dois crimes simultaneamente, o que poderia levar a um período de 12 a 20 anos de detenção. Com o entendimento de haver um só delito, as punições podem cair para 6 a 10 anos.

Houve situações como essa em quatro Estados. No DF, a Promotoria apurou pelo menos 25 casos. Segundo o juiz Ulysses Gonçalves Júnior, a intenção pode ter sido boa, mas a redação deu margem à discussão.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS), relatora da lei, diz que a interpretação está equivocada".

Abaixo do texto, vem um quadrinho "explicando" o que ocorreu.



Não é bem asssim. A reportagem dá a idéia de que o atentado violento ao pudor simplesmente deixou de existir, foi revogado. Não é o caso. O que ocorre, após a mudança da lei é o seguinte. Quando o agente, mediante mais de uma ação, pratica conjunção carnal e ato libidinoso diverso, nas mesmas circunstâncias de tempo, lugar, modo de execução e outras semelhantes, há o que se chama crime continuado ou continuidade delitiva. A consequência, de acordo com o art. 71 do Código Penal (que não foi modificado pela Lei 12.015 de agosto de 2009) é a aplicação da maior pena ou de uma delas, se idênticas, aumentadas, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.

Como eu disse, o artigo 71 já existia antes da lei sobre crimes sexuais e não foi modificado por ela. A diferença é a interpretação sobre sua aplicabilidade nesses casos de estupro mais atentado violento ao pudor. Qual o problema? O problema é que, para que se aplique o aumento de pena do art. 71 (e não a soma), exige-se que, além dos requisitos sobre os quais me referi acima, os crimes sejam da mesma espécie. Aí, antes da Lei 12.015, a discussão era se estupro e atentado violento ao pudor eram, ou não, da mesma espécie. O entendimento majoritário era no sentido de que não eram da mesma espécie; crimes da mesma espécie seriam os previstos no mesmo tipo penal (entendimento, a meu juízo, equivocado; quando mais de uma figura delitiva é prevista no mesmo tipo, não são crimes diversos, porém da mesma espécie; é o mesmo crime - tipo misto alternativo é o nome técnico da geringonça).

Mas, agora que tanto a conjunção carnal quanto o ato libidionoso diverso estão no mesmo tipo penal, esse óbice que havia (ou poderia haver) à aplicação do art. 71 desapareceu. Mas a pena, ao contrário do dito na reportagem, não será a mesma que haveria se só houvesse a conjunção carnal.

Qual o resultado da matéria, do jeito que está? O reforço da noção de que os advogados usam "brechas" na lei para beneficiar os bandidos. A lei não tem "brechas". Conhecer o direito e as implicações das modificações legislativas não é achar "brecha". Se os nossos legisladores tivessem mais cuidado ao fazer novas leis penas (ao invés de simplesmente ficar aumentando penas), a chance de essas perplexidades ocorrerem seria bem menor.

Mas o pior da reportagem é o que está escrito no último quadrinho: "alguns juízes estão aplicando a retroatividade em favor do réu para excluir a condenação por atentado violento ao pudor". Dá a idéia de que esses juízes estão passando a mão na cabeça do réu, quebrando o galho para eles. Não. Se são só "alguns juízes" que estão a aplicando a nova lei (mais benéfica ao réu) retroatviamente, eles são os certos e os demais são os errados. Por que? Porque é a Constituição quem manda que isso seja feito.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Direitos autorais

Lembram daquele vídeo que eu postei semana passada com a paródia de We Are The World (We Con the World) em que humoristas israelenses criticam a cobertura da mídia sobre o ataque israelense sobre a "frota humanitária" dirigida a Gaza? Pois é. Bem que eu avisei para verem rápido, antes que fosse tirado do You Tube. Não deu outra.

O Jerusalem Post noticia que o vídeo, após ter cerca de 3 milhões de acessos, foi retirado do ar. A justificativa? Violação aos direitos de reprodução da música We Are The World, que pertencem à Warner Chappel Music Inc. Conversa pra boi dormir. Por dois motivos.

1. Acabei de procurar no You Tube: "we are the world parody". Apareceu um monte de paródias da música, exceto, naturalmente, a que foi retirada do ar.

2. Existe no direito norte-americano (lembre-se que a Warner e o You Tube são sediados nos EUA) um instituto chamado "fair use doctrine" que, quando aplicável, exime a pessoa que faz uso de uma obra artísitca de pagar direitos autorais ao titular. Uma das hipóteses em que a fair use doctrine é aplicável é exatamente quando há sátira ou paródia. A Suprema Corte dos Estados Unidos assim entendeu no caso Campbell v. Acuff Rose Music Inc. e essa decisão, de 1994, tem servido de guideline para casos semelhantes em que se discute se uma sátira ou paródia violam direitos autorais.

Basicamente, o grupo de rap 2 Live Crew fez uma paródia da famosa música Oh,Pretty Woman, de Roy Orbison (Pretty woman, walking down the street...). A companhia que detém os direitos autorais da música original processou os mano. Em primeira instância, a decisão foi favorável ao 2 Live Crew. Em apelação, a sentença foi reformada, sob o entendimento de que a fair use doctrine não pode ser invocada quando a obra é parodiada para fins comerciais. O ponto central do entendimento unânime da Suprema Corte, que cassou a decisão da Corte de Apelação, foi o seguinte, tradução livre a seguir:

"As to parody pure and simple, it is unlikely that the work will act as a substitute for the original, since the two works usually serve different market functions" (Quanto à paródia pura e simples, é pouco provável que possa ser considerada como um substituto da obra original, já que ambas obras destinam-se a finalidades diferentes de mercado).

Ou seja, não há lesão ao interesse artístico protegido pela lei de direitos autorais quando a obra original é utilizada como simples paródia. De fato, e conforme noticiado pelo JPost, os consultores jurídicos do programa que fez a paródia disseram que não haveria problema em veicular a paródia exatamente sob a fair use doctrine.

Parece-me que a paródia We Con the World em relação a We Are the World inclui-se claramente nesse standard da Suprema Corte. Ou seja, legalmente (de acordo com o direito norte-americano), não há motivo para tirar o vídeo do ar. Não há infração a direito autoral.

Por que será que We Con the World foi eliminada e as outras paródias sobrevivem? Motivos há. A história do copyright é desculpa esfarrapada ou, já que esse post tá bem americano, bullshit.


Link para a decisão da Suprema Corte: http://www.law.cornell.edu/supct/html/92-1292.ZS.html

Anti-sionismo x Anti-semitismo

Dentre as várias discussões infindáveis acerca do conflito do Oriente Médio, há uma que toca num ponto muito sensível: anti-sionismo e anti-semitismo são sinônimos? Por anti-sionismo entenda-se ser contra a existência ou legitimidade de Israel, não a mera discordância ou crítica sobre determinadas políticas ou ações de Israel. Muitos (inclusive alguns judeus) se dizem anti-sionistas exatamente como uma defesa de eventual acusação de anti-semitismo. Algo assim: "eu não tenho nada contra os judeus; sou contra Israel, sua política imperialista e o abuso contra os coitadinhos dos palestinos". Além disso, essa suposta divisão anti-sionista/anti-semitismo serve também para deslegitimar a priori o argumento em defesa de Israel: "para os judeus, qualquer crítica que se faz a Israel é anti-semitismo". Realmente, não é toda crítica que tem um fundo anti-semita. Mas, quando a crítica põe em xeque (intencionalmente ou não) a própria existência de Israel, há anti-semtismo sim. Pode até não estar na origem da crítica; mas está nos desdobramentos. Por exemplo, notícia nada surpreendente que saiu no Estado de São Paulo:

"Pouco antes das 8 horas de terça-feira, 8 de junho, um jovem de origem árabe magrebina começou a percorrer os vagões de um trem do metrô que se dirigia a Argenteuil, na periferia de Paris. Em voz alta e tom agressivo, interpelava os passageiros: “Você é judeu? Você é judeu?”

Ao ser indagado, o engenheiro Maurice A., de 45 anos, argumentou: “No que isso pode lhe interessar?”

Você viu o que seus primos fizeram em Gaza?”, questionou o jovem, sem esperar resposta. “Eu não gosto de judeus. Vou quebrar a sua cara.” O engenheiro foi espancado repetidas vezes no rosto, jogado ao chão e agredido a chutes no tórax, no abdômen e na cabeça. Socorrido por passageiros que testemunharam a brutalidade dos atos, Maurice foi hospitalizado. Hoje, não corre mais riscos.

Seu caso foi encaminhado à Justiça, onde será analisado como mais uma agressão de caráter anti-semita dentre as praticadas com cada vez mais frequência na Europa há 18 meses. Depois de dez anos de baixa contínua, o número de ataques contra judeus vem crescendo desde que o Exército de Israel bombardeou a Faixa de Gaza, em janeiro de 2009.

Ao usar da força militar para se defender, o governo israelense aperta o cerco ao Hamas e garante a segurança de seus 7 milhões de habitantes, mas, ao mesmo tempo, expõe judeus de todo o mundo a hostilidades mais recorrentes.

A advertência de que uma onda de violência contra judeus está em curso na Europa vem sendo feita por acadêmicos e organizações não-governamentais (ONGs) de defesa dos direitos humanos. Em todo o continente, pelo menos 1,1 mil incidentes anti-semitas - 49% deles contra o patrimônio - foram registrados em 2009, contra 559 em 2008, de acordo com a classificação da Universidade Tel-Aviv. A maior parte dos casos se concentra na França e na Grã-Bretanha, onde vivem as maiores comunidades judaicas da Europa - em torno de 500 mil e 250 mil, respectivamente.

Segundo ONGs locais, entretanto, os números são mais graves que os revelados pela Universidade Tel-Aviv. De acordo com um relatório da Comissão Nacional Consultiva de Direitos do Homem (CDCDH), em 2009 foram registrados 815 casos de agressões e ameaças de caráter anti-semita só na França. Em 2008, haviam sido 459 ocorrências. Marc Leyenberger, advogado e autor do relatório da CDCDH, atribui a maior parte dos incidentes ao conflito em Gaza, mas alerta que a crise econômica na Europa também desempenha um papel. “Em situação de precariedade, uma parte da população tende a procurar um bode expiatório”, afirmou.

O certo é que os casos se multiplicaram em 2009 e 2010. Em 11 de janeiro de 2009, nove coquetéis molotov foram lançados contra um centro comunitário judeu de uma sinagoga de Saint-Denis. Desde então a violência, que obrigou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, vir a público condená-la como “atos inadmissíveis”, não para, e os casos de cemitérios profanados, sinagogas atacadas e judeus - religiosos ou não - agredidos verbal ou fisicamente se proliferam".

Por mais que se argumente contrariamente, chega um ponto que o ódio a Israel é indissociável do ódio aos judeus. Afinal, quantas vezes vemos órgãos de imprensa referindo-se a Israel como o "Estado judeu"? Ou seja, o próprio Estado de Israel é identificado como judeu! Quando esse senhor diz "você viu o que os seus primos fizeram em Gaza" a um judeu francês, a eventual linha entre o anti-sionismo e o anti-semitismo foi transposta.

Aconteceu comigo, também (e aposto que com vários amigos mas, felizmente, sem violência). Na época da invasão a Gaza, eu estava em uma festa de casamento e um intelectualóide qualquer chega para mim e diz: "e o genocídio que vocês estão praticando em Gaza?". O tom da pergunta foi mais ou menos o mesmo que um cruzeirense usaria ao me zoar porque o Galo perdeu para quem quer que seja. Naturalmente, minha resposta foi algo assim: "Genocídio!? Pelo visto, você nem sabe o que é isso! Vá estudar história!". E para quem estiver achando que eu deveria tê-lo mandado para outro lugar ou fazer outra coisa, acreditem: mandá-lo estudar foi, sim, um insulto!

Muito bem. Eu sou identificável como judeu; não como israelense. Mas, a partir do momento em que eu sou incluído pelo pronome vocês na ação de Israel, judeu e israelense se tornam sinônimos. Por conseguinte, o ódio a um se confunde com o ódio ao outro.

A resposta pronta a essa minha conclusão é óbvia: não, eu não tenho nada contra os judeus; só não apoio a opressão israelense! Então, por que o pronome vocês? Por que o ataque ao judeu francês e todos os outros a que a reportagem acima se refere?

Ah - dirão - isso é coisa de gente ignorante! Eu sei que é! Tirando os antibióticos e os anticorpos, conheço muito poucos "anti alguma coisa" que não sejam ignorantes. Da mesma forma que é ignorante quem fala em genocídio ou apartheid em Gaza. E é exatamente dos ignorantes que eu tenho medo!

Lembrem-se que um dos gritos de guerra dos terroristas do Hamas, Hizbollah e jihadistas em geral é "morte aos judeus", não "morte aos israelenses". E, para terminar: se os judeus não têm direito a um Estado (isso é anti-sionismo), eles têm direito a existir como povo independente?

domingo, 13 de junho de 2010

Não conta pra ninguém que eu estou do seu lado!

O Times (de Londres) noticia que a Arábia Saudita liberou seu espaço aéreo para que aviões israelenses possam bombardear instalações nucleares do Irã. Mas essa autorização foi por debaixo dos panos. O governo saudita nega que tenha liberado e, obviamente, o governo israelense também não confirma. Mesmo porque a Arábia Saudita não tem relações diplomáticas com Israel. Segundo informa o jornal inglês, os sauditas estão, inclusive, conduzindo testes para desativar temporariamente suas defesas antiaéreas para garantir que, caso Israel decida, mesmo, atacar o Irã, a passagem dos aviões pelo espaço aéreo Saudita ocorra sem percalços. Ou seja, os sauditas não vão realmente deixar os aviões passarem; vão simplesmente olhar para o outro lado.

É interessante. Vários dos países árabes da região têm interesse tão grande ou maior do que Israel em eliminar a capacidade nuclear do Irã, antes que o Ahmadinejad tenha a bomba pronta. Mas, aliar-se publicamente a Israel no intento de eliminar (ou ao menos postergar) essa ameaça, nem pensar. Se o bombardeio, efetivamente, acontecer, o mundo inteiro vai cair na cabeça de Israel. Mas, secretamente, todo mundo - inclusive, vários países árabes - vão adorar que os israelenses fizerem o serviço.
Tenho sérias dúvidas se seria uma boa estratégia Israel atacar sozinho o Irã. Embora se saiba que a força aérea já tem planos de ataque e os treina já há algum tempo, acredito que isso seria uma medida extremamente temerária - para dizer o mínimo. O primeiro efeito de um ataque seria a união da população iraniana (cujas rachaduras estão aparecendo, mesmo com a severa repressão feita pelo amiguinho do Lula) em torno do regime dos aiatolás. E o fortalecimento do regime não interessa a ninguém.

Mas, independente disso, o fato é que, se os países da região a quem interessa tão pouco quanto Israel que o Irã tenha armas nucleares, dessem um passo à frente e assumissem publicamente uma aliança - ou mesmo um compromisso - de impedir que o Irã desenvolva armas atômicas, o caminho adiante, não só com relação a isso, mas no Oriente Médio em geral, ficaria um pouco mais fácil.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Agressão israelense

Vejam esse cartum (de 1956):




Os personagens (Nasser e Ben Gurion) logicamente não são mais os mesmos; fora isso, mudou alguma coisa nesses mais de 50 anos?

PS. Agradecimentos à Bárbara e ao Fernando Bekerman pelo cartum.

Depois da condenação, a investigação para apurar a responsabilidade do réu

Para os leitores que não são "do direito", peço paciência, vocês já vão ver onde quero chegar.

O art. 44 da Lei 11.343/06, também conhecida como lei de tóxicos, dispõe, dentre outras coisas, que não cabe liberdade provisória no crime de tráfico de entorpecentes. Aplicando cegamente esse dispositivo legal, a situação poderia ser a seguinte: o cara é preso em flagrante com três baseados no bolso. O sujeito alega que a droga era destinado ao uso próprio. O delegado que lavra o flagrante entende que, pela quantidade, a erva era destinada ao tráfico. Parabéns. O cara vai ficar preso; a defesa vai requerer liberdade provisória e será indeferida, sob o argumento de que o art. 44 proíbe a concessão do "benefício". Durante o processo, porém, caso não se consiga provar que o bagulho era, efetivamente, destinado ao tráfico, caso o juiz já tenha ouvido falar no princípio da presunção de inocência, vai desclassificar a infração para uso de entorpecentes (a que a lei sequer comina pena de prisão) e mandará por o réu em liberdade.

Ou seja, trocando em miúdos, a lei já presume que, se o sujeito foi autuado em flagrante por tráfico, ele é mesmo traficante e, como lugar de traficante é na cadeia, não cabe liberdade provisória. Muitos, inclusive eu, sustentam a inconstitucionalidade desse artigo exatamente por isso. Viola o princípio da presunção de inocência.

Feita essa breve digressão jurídica, vejo que saiu no Jerusalem Post a seguinte notícia, da qual transcrevo os trechos abaixo:

"The captain of the Mavi Marmara tried to convince dozens of IHH activists not to engage in violent clashes with the IDF two hours prior to the commando's boarding of the ship, reported Army Radio on Friday.
The Gaza flotilla ship's captain, Mehmet Tubal, said while being investigated in Israel that he and other members of the Mavi Marmara's staff did all they could to prevent the activists from confronting soldiers, even throwing some of the IHH member's metal pipes and chains overboard.

Another senior member of the ship's staff said that 40 IHH activists took control of the Mavi Marmara and dictated the rest of the passengers' movements".

A semelhança tá na cara, né? No mesmo dia do ataque ao Mavi Marmara, a condenação a Israel foi praticamente unânime. Agora que os fatos começam a vir à tona, confirma-se o dito por Israel ao ser preso em flagrante. Que o comboio "humanitário" foi uma armação com o nítido propósito de provocar uma reação de Israel (com o máximo de mortos e feridos possível).
 
Eu sei que dizem e dirão que, independente de qualquer coisa, a ação de Israel foi estúpida, exatamente porque deu munição para seus detratores. Israel "caiu na armadilha". Mas, em algum momento, eu disse que o cara que estava com três baseados no bolso agiu sabiamente?
 
Mas há certos tipos criminológicos (corrija-me, Dra. Bárbara) que podem ser condenados de antemão, sendo a investigação e a instrução probatória mero detatlhe, mera formalidade.
 
Link para a reportagem: http://www.jpost.com/MiddleEast/Article.aspx?id=178172

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Candidatura ao Senado, indeferida; candidatura à segundona, de vento em popa

Notícia que vi hoje de manhã no blog do Juca Kfouri, no UOL:

"A tentativa de Vanderlei Luxemburgo se eleger ao cargo de senador pelo Tocantins neste ano trouxe problemas para o atual treinador do Atlético-MG. A Justiça Eleitoral do Estado atendeu à solicitação do Ministério Público Eleitoral e abriu processo criminal contra o técnico, sob acusação de “inscrição fraudulenta de eleitor”.

Para ser candidato, Luxemburgo – incluído no art. 289 do Código Eleitoral [Inscrever-se fraudulentamente eleitor] – precisava transferir domicílio eleitoral para Palmas, sendo assim necessário comprovar residência na cidade por pelo menos três meses. Para isso, o treinador usou uma cópia de contrato de aluguel de um apartamento e de um terreno sem data e assinatura.

Ao acatar a solicitação de abertura de processo contra Luxemburgo, o juiz Gilson Coelho Valadares propôs a suspensão condicional do processo por três anos. Porém, se o técnico comparecer à Justiça Eleitoral todo mês, não será necessária sua prisão e o processo será arquivado no final do prazo, de acordo com a lei.

De acordo com seu assessor, Luís Lombardi, Luxemburgo ainda não recebeu a notícia em relação ao processo criminal aberto contra ele. O próprio Lombardi também desconhecia o assunto. “Não tenho conhecimento disso. Ainda não consegui falar com ele, pois ele está de folga”, explicou, em entrevista ao UOL Esporte.

Dentro de campo, Luxemburgo também não vive um bom momento. Apesar de prestigiado pela diretoria do Atlético-MG e campeão mineiro no início do ano, a equipe do treinador, ao fim das sete primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, ocupa apenas a 18ª colocação, portanto na zona de rebaixamento".

Apenas corrigindo a informação, a suspensão condicional do processo não é oferecida pelo juiz e, sim, pelo Ministério Público e o descumprimento pelo réu das condições não importa (automaticamente) em prisão, mas na revogação do benefício e prosseguimento do processo.
 
Pois é. Se o Luxemburgo tivesse se preocupado em ser técnico de futebol somente, não estava nessa agora e, possivelmente, o Galo não estaria na zona de rebaixamento. Sem discutir se ele é culpado ou não da acusação a que responde, o fato é que, se não tivesse inventado essa de ser senador pelo Tocantins (pelo PT, é bom lembrar), seu desempenho como técnico, penso eu, teria sido melhor nos últimos anos. Ou será à toa que o último título importante que o Luxemburgo ganhou foi em 2003?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Adriano, Vagner Love e a política externa brasileira

O atacante Adriano, que acabou de se transferir do Flamengo para a Roma, está sendo alvo de inquérito policial que investiga eventuais ligações suas com traficantes da Vila Cruzeiro, favela onde o jogador cresceu e com a qual mantém vínculos até hoje. Além disso, houve repercussão negativa na imprensa sobre fotos em que Adriano aparece fazendo com as mãos o símbolo do Comando Vermelho e outra em que aparece segurando uma metralhadora de brinquedo. Diz-se que, como pessoa pública, essa suposta ligação sua com traficantes é um mau exemplo para a sociedade, que um atleta não deve se misturar com criminosos, etc. O mesmo foi dito sobre o jogador Vagner Love quando, semanas atrás, foi visto em um baile funk ao lado de criminosos fortemente armados.

O pensamento que está por trás do repúdio à aparição de jogadores de futebol ao lado de criminosos é o velho dito "dize-me com quem andas e eu te direi quem és".

Partindo desse contexto, o que dizer do Brasil e sua política externa sob o égide do governo do Lula? Hoje o Conselho de Segurança da ONU votou novas sanções contra o Irã. 12 votos a favor das sanções; 2 contra, de Brasil e Turquia. Até o Líbano (fortemente influenciado pela Síria que, por sua vez, é amiga de infância do Irã) não votou contra, mas absteve-se.

Consolida-se a guinada da Turquia de um regime razoavelmente secular e mais ou menos democrático em direção ao radicalismo islâmico.Consolida-se, ainda, o apoio brasileiro ao regime ditatorial e terrorista do Irã. Assim como já consolidado o apoio aos irmãos Castro, a Hugo Cháves, Evo Morales e vários outros ditadores, autocratas e aí por diante.

Se o Vagner Love vai ao baile funk; se Adriano faz o símbolo do Comando Vermelho, a casa cai. O Brasil, porém, frequentar o baile funk do MC Ahmadinejad e usando a indumentária dos Vermelhos cubanos, venezuelanos e congêneres, tudo bem, né? Mesmo porque o boné vermelho do MST, o Lula já usou.

Dize-me com quem andas e te direi quem és. Os traficantes do Rio de Janeiro não ficaram nem mais nem menos fortes com as aparições dos futebolistas mencionados. Da mesma forma, a foto do Brasil segurando a metralhadora de briquedo ao lado do Ahamdinejad não impediu a aprovação das sanções pela ONU. Mas, assim como causa espanto jogadores famosos se misturando a criminosos, causa temor (sem contar a náusea) o Brasil alinhando-se com ditaduras que prendem e assassinam opositores e/ou que advogam abertamente a destruição de um país soberano e reconhecido internacionalmente. Se Adriano quer ser amigo de traficante, o problema é dele (desde que com o traficante não se associe para cometer crimes); mas se Lula, com sua política externa, quer ser amigo do Irã, o problema é nosso. De tanto o presidente nos levar ao baile funk do MC Ahmadinejad, cada vez maior o temor de que sejamos nós que dançaremos ao som do pancadão.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Reflexões sobre a Copa

Como foi divulgado ontem, um dirigente da federação argentina de futebol disse que, se a Argentina for campeã ele fará sexo com o autor do gol do título. Começa, então, a ficar interessante a idéia de torcer para a Argentina ganhar do Brasil na final, com gol contra do Maicon ou do Julio Baptista, não?

E, a propósito: será que se, em 2006, o presidente da CBF fosse um traveco, um certo centroavante da seleção teria jogado melhor e Brasil seria campeão?

Encerrando o assunto (ou não)

Agradecendo à contribuição do meu pai, segue abaixo artigo publicado na Folha de São Paulo de hoje, de autoria de João Pereira Coutinho:

"Vamos falar de Israel?

A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra durante meio século

MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações lancinantes contra o meu "sionismo militante".

Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.

A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.

Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a Israel.

Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente inúteis.

A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a Palestina.

A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.

Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os árabes recusaram.

Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?

Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.

Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um eufemismo.

Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.

Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?

Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).

Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.

É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu presença judaica ao longo dos séculos.

Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito territorial.

É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível, tudo que resta são delírios e mentiras".

Historicamente, é basicamente isso mesmo. Mas duas questões merecem um reflexão mais profunda:

1. Essa é a história; o fato de, historicamente, Israel ter razão não soluciona o conflito. Pode nos dar uma certa satisfação moral, mas não resolve. A solução está para a frente, não para trás. Para trás está a compreensão (que é essencial pois, sem ela, é fácil cair na esparrela a que o post de ontem - paródia do We are the world - refere-se), mas não as possíveis soluções.

2. Eu me pergunto se é apenas o Hamas (e seus congêneres) que reluta em aceitar que um Estado Judeu exista de forma soberana e independente. E a tentativa de responder à primeira questão depende imensamente desta.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Absolutamente genial!!!

Paródia de We Are the World. Só o refrão:

We´ll make the world
abandon reason
We´ll make them all believe that the Hamas
Is Mother Teresa

Assistam. E rápido antes que tirem do You Tube.

http://www.youtube.com/watch?v=ZvJ-8d9X9JA

Atendendo a pedidos

Já que Nina pediu, lá vai um comentário rápido sobre o filme final do Harry Potter (sim, eu adoro)! Acabei de ver um trailer novo que saiu no site da UOL. Meu principal foco foi ver se dá alguma pista sobre onde vão colocar a divisão entre a primeira e a segunda parte do filme. Não deu pra ter certeza, mas parece que o fim da primeira parte será na chegada do trio a Shell Cottage (como li o livro em inglês, não sei como traduziram o nome do local), embora apareça uma rápida cena que, aparentamente, é de um ponto do livro posterior. Mas seria estranho, penso eu, avançar a primeira parte até essa cena. Já terá passado mais de metade do livro. Enfim, o jeito é esperar pra ver.

Ao que tudo indica, o último filme será mais completo em relação ao livro do que o anterior (Half Blood Prince), que foi muito criticado por isso (mas eu gostei mesmo assim).

Com o fim da série, talvez eu e a Bárbara - mauhumortemcura.blogspot.com - consigamos, afinal, chegar a um consenso sobre quem é mais poderoso: os Jedi ou os mágicos de Harry Potter (embora, ultimamente, eu tenho me inclinado a achar que, na verdade, a Belatrix Kiddo ganha de ambos). Hehehe.

PS: Nina, já fiz o que você pediu! Agora você vai ter que acompanhar o blog!

Leitura recomendada

Se alguém tiver interesse em conhecer as raízes do que hoje ocorre no conflito entre Israel e palestinos, recomendo a seguinte leitura:

Seis Dias de Guerra, de Michael B. Oren. Leitura imperdível para quem não é familiarizado com as raízes do conflito ter dados históricos bem contextualizados para formar sua opinião.

Embora, naturalmente, o livro seja centrado na Guerra dos Seis Dias especificamente, ele descreve com clareza a evolução dos fatos que culminaram com guerra e também dá a indicação das consequências dela advindas.

Um dos aspectos mais interessantes do livro é que ele mostra a retórica dos países árabes (Egito, Síria Jordânia) contra a existência do Estado de Israel e em suposta defesa dos palestinos e, sem dificuldade, verificamos que é rigorosamente a mesma retórica que ainda hoje vemos nas críticas mais virulentas que são feitas contra Israel como, por exemplo, as que estão pipocando atualmente em virtude da abordagem do Mavi Marmara. São aqueles velhos refrões de esquerda da década de 1960 a que me referi no post anterior.

O livro tem uma abordagem bem ampla sobre o conflito, situando-o em seu contexto regional e internacional, mostrando o papel de todos os envolvidos direta e indiretamente.

Sabem por que a Jordânia entrou na guerra e, derrotada, deu ensejo à ocupação por Israel da Cisjordânia e Jerusalém Oriental? Leiam o livro. Aposto que muitos vão se surpreender!

domingo, 6 de junho de 2010

Credenciais

Ultimamente tem sido bem frequente a publicação de artigos, tanto na imprensa escrita quanto na internet, escritos por judeus e que, em maior ou menor escala, criticam ou condenam ações do governo de Israel e, de um modo mais amplo, a própria postura de Israel no conflito com os palestinos.

Todos esses artigos começam basicamente da mesma forma: "eu sou judeu, estudei em escola israeltia, na juventude frequentei movimento juvenil sionista, etc". Após apresentar essas "credenciais", passa-se à crítica. A maior parte desses artigos é de grande qualidade intelectual e histórica. Embora, naturalmente, eu não concorde com tudo (como também não concordo com tudo em artigos que apoiam incondicionalmente a ação do governo de Israel), são opiniões relevantes e bem fundamentadas.

O que eu fico me perguntando é por que, antes de escrever uma crítica a Israel, o autor precisa apresentar suas "credenciais" judaicas. Seria algum sentimento de culpa por estar criticando Israel? "Olha, eu tô criticando Israel, mas eu fui do Dror e faço jejum todo ano em Yom Kippur, viu?"

Acredito que boa parte dos judeus que têm uma postura mais crítica sobre o papel que o governo de Israel (que, particularmente, me desagrada profundamente; o atual, Netanyahu, e o anterior, Olmert,  desastrosos) não seguem a linha mais radical (e, nesse caso, estúpida e equivocada) de ser totalmente contra Israel, considerando-o imperialista, colonialista, enfim, aqueles refrões de esquerda dos anos 1960 que ainda ecoam.

Mas essa necessidade de apresentar "credenciais" para se sentirem à vontade para criticar acaba dando argumento para quem segue a linha a que me referi acima. "Se até os judeus descem o pau em Israel é porque Israel é mesmo o vilão!"

Vamos todos criticar. Uma das características marcantes dos judeus é exatamente a postura crítica, a contestação, o debate. Isso fortalece a comunidade judaica, tanto de Israel quanto da diáspora. Mas sem dar munição para quem quer destruir!

Parada Necessária

Finalmente o campeonato brasileiro vai parar! Hoje eu sequer tentei assistir ou ouvir o jogo do Galo. Naturalmente, perdeu de novo. Fiz questão de nem procurar o gol do Ceará e os melhores (?) momentos. Os últimos jogos (Grêmio e Vitória) já foram suficientes para que a minha única expecatativa com relação ao Glorioso por ora fosse a parada no campeonato.

Espero que o Luxemburgo aproveite esse tempo para, primordialmente, dar um jeito na defesa. A defesa é a mais vazada do campeonato (pelo menos era até o início da rodada). Será que isso se deve apenas à baixa qualidade técnica dos zagueiros, laterais e volantes? Boa parte dos gols que o Galo tomou (e não foram poucos) decorreu de falhas individuais, mas vários também de falhas coletivas, de posicionamento (contra o Grêmio, por exemplo, foi assim).

Como disse, não vi o jogo de hoje, não sei se o Galo jogou bem ou mal ou pessimamente; não sei se o gol do Ceará foi roubado, se o juiz anulou gol legítmo do Galo, nada. O que eu quero destacar aqui é o conjunto da obra até agora. E perder para Ceará dentro do Mineirão não se justifica em hipótese alguma! Ah - dirão alguns - o Ceará está disputando a liderança com o Corinthians. Fogo de palha. Ou alguém acha que o Ceará vai disputar o título?

Desde que o campeonato começou a ser disputado por pontos corridos, quase todo ano algum timinho pula na frente nas primeiras rodadas e depois despenca.
Voltando à vaca fria, será que essa pausa vai servir para melhorar alguma coisa? Ou depois da "flanelada" do ano passado vamos ter que nos dar por satisfeitos esse ano se não formos rebaixados?

.

sábado, 5 de junho de 2010

Shut up! Go back to Auschwitz!

De acordo com notícia publicada na edição on-line do Jerusalem Post, essa foi a frase dita pelo operador de rádio do navio Mavi Marmara, respondendo à advertência feita pelo exército de Israel no sentido de que a embarcação estava se aproximando de área bloquada e que deveria se dirigir ao porto israelense de Ashdod.

Acredito que, a essas alturas, todo mundo saiba o que é o Mavi Marmara. É o navio, parte de um comboio que se dirigia a Gaza na segunda-feira passada que, recusando-se a aportar em Ashdod, foi abordado por comandos da marinha israelense, o que resultou em nove militantes mortos e na costumeira condenação quase unânime de Israel, antes mesmo que os fatos fossem suficientemente esclarecidos.

Basicamente, Israel se defende afirmando que o bloqueio a Gaza justifica-se em virtude de o território ser controlado pelo Hamas, cujo objetivo declarado é destruir o Estado de Israel e que tem por hábito fazer chover foguetes sobre a população civil do sul do país (só do sul, pois os foguetes não têm alcance maior).

Basicamente, Israel é detonado porque... bem, podem escolher o motivo. Obivamente, vou tocar bastante nesse assunto em outros posts.

O fato é o seguinte. Depois dessa revelação, cada vez mais fica claro que o objetivo do comboio dito humanitário não era propriamente enviar ajuda humanitária aos palestinos da faixa de Gaza. Não era sequer desafiar o bloqueio marítimo imposto à região. Era criar mártires, quanto mais, melhor. Era deslegitimar Israel, contestando seu próprio direito de existir (à imagem e semelhança do Hamas).

Por que eu digo isso? Porque quando o "humanitário" militante manda o militar israelense calar a boca e voltar para Auschwitz ele está dizendo que o lugar dos judeus não é em um Estado independente e soberano, mas em um campo de concentração!

Isso significa que todas as pessoas que estavam nos navios e todas as pessoas que estão descendo o sarrafo em Israel pensam a mesma coisa? Quero crer que não.

Mas essa frase revela que quem dava as cartas no navio (controlando, inclusive, o rádio) quer, mesmo, acabar com Israel e mandar os judeus para a câmara de gás.